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Linha Direta

Obama faz tímida autocrítica sobre papel dos EUA na ditadura argentina

Áudio 04:59
Barack Obama durante o jantar de Estado oferecido ontem pelo presidente argentino, Mauricio Macri.
Barack Obama durante o jantar de Estado oferecido ontem pelo presidente argentino, Mauricio Macri. REUTERS/Carlos Barria

O segundo e último dia da visita do presidente Barack Obama à Argentina coincide com os 40 anos do golpe militar de 1976 no país. Em apenas sete anos de duração, 30 mil pessoas foram vítimas do regime militar. A ditadura argentina, uma das mais sangrentas do continente, foi apoiada e até incentivada pelos Estados Unidos.

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Correspondente da RFI em Buenos Aires

Na manhã desta quinta-feira (24), Obama vai visitar o Parque da Memória, um local de homenagem às vítimas da mais sangrenta ditadura da América do Sul. Ele deve jogar flores no Rio da Prata, onde, nos anos 70, pessoas torturadas e dopadas eram lançadas ainda vivas nos chamados voos da morte.

Obama vai confirmar o seu esforço por desclassificar os arquivos secretos que organismos militares e de inteligência dos Estados Unidos guardam sobre a ditadura argentina. Esses arquivos podem permitir novas linhas de investigação. O líder americano fez uma tímida autocrítica sobre o papel da política externa e da diplomacia dos Estados Unidos nos anos 60 e 70 e quer mostrar uma mudança na política externa norte-americana, 40 anos depois.

Obama se esquiva de protestos e vai a Bariloche

A promessa também é uma forma de tirar força de protestos previstos para hoje. À tarde, organizações de Direitos Humanos e grupos de esquerda vão desfilar em repúdio ao golpe militar e à visita de Obama à Argentina. Antes disso, o líder americano viaja ao sul, à região de São Carlos de Bariloche, para passar o dia em família. Ele retorna a Buenos Aires à noite e parte direto de regresso a Washington.

Após 12 anos de uma má relação entre a Argentina e os Estados Unidos, Obama e o presidente Mauricio Macri selaram, no primeiro dia da visita, uma lua de mel política e econômica. Obama elevou o colega argentino a líder exemplar para a região, uma crítica velada a países como Venezuela e Cuba.

O discurso de Macri contra o terrorismo, contra o tráfico de drogas, a favor de abertura comercial, de transparência, das liberdades individuais e dos Direitos Humanos é exatamente igual ao de Obama. Em sintonia com o colega argentino, Obama elogiou as reformas econômicas de Macri e disse que vai ajudar a Argentina nessa transição histórica de se reconectar com o mundo e de recuperar o papel de liderança global. "A Argentina está reassumindo a sua liderança regional e mundial", declarou Obama.

Essa sintonia entre Obama e Macri foi interpretada como algo sincero. Mas os analistas avaliam que Obama compensa, com a Argentina de Macri, a aproximação com o questionado regime cubano. Um contrapeso na mesma viagem.

Ao mesmo tempo, ao encontrar um aliado na América do Sul, Obama faz uma crítica velada aos líderes de esquerda cujas administrações estão ameaçadas pela recessão e pela corrupção, especialmente a Venezuela. Embora ele não tenha citado nenhum país, Obama disse que Macri é um exemplo para outros países da região.

Obama reafirma combate ao grupo Estado Islâmico após ataques em Bruxelas

Obama foi alvo de críticas internas por vir à Argentina, mesmo depois dos atentados em Bruxelas. Mas ele dedicou boa parte do contato que teve com a imprensa para esclarecer que a prioridade número 1 em sua agenda é perseguir até destruir a organização Estado Islâmico. Ele repetiu várias vezes as palavras "eliminar" e "destruir" o grupo terrorista, até que seja removido da Síria e do Iraque. Ao mesmo tempo esclareceu que não vai impulsionar um bombardeio maciço contra os jihadistas.

O terrorismo vai seguir na agenda nesta quinta. Mas desta vez, o terrorismo de Estado durante a ditadura argentina.

O líder americano terminou o dia dançando tango com a dançarina profissional Mora Godoy, durante o jantar de gala oferecido pelo presidente argentino no Centro Cultural Néstor Kirchner, em Buenos Aires. Já a primeira-dama Michelle teve como parceiro José Lugones.
 

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