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EUA/contaminação

Obama visita Flint, cidade onde a água contaminou dezenas de crianças

Milhares de crianças foram envenenadas em Flint, onde a água foi contaminada com chumbo
Milhares de crianças foram envenenadas em Flint, onde a água foi contaminada com chumbo REUTERS/Rebecca Cook

O presidente americano Barack Obama visita nesta quarta-feira (4), Flint, cidade no Michigan cuja água foi contaminada por chumbo, provocando doenças incuráveis em milhares de crianças. O presidente vai ouvir pessoalmente os depoimentos das vítimas.

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Na semana passada, Obama recebeu a carta de uma menina de oito anos, Mary Copeny. No texto, ela diz “manifestar em nome de todas as crianças afetadas pela água que vivem em Flint”, e pede um encontro com o presidente e sua esposa, Michelle Obama. Em sua resposta, Obama anuncia sua ida a Flint, confirmando a visita, e pede que Copeny a aguarde.

Casos como o da menina não são isolados. A segunda filha da jovem Nakeyja Cade, de 24 anos, nasceu em novembro de 2014. “Ela tinha taxas de chumbo elevadas no sangue”, conta. “No início, os médicos não entendiam de onde vinham seus problemas de saúde. No fim, tudo era causado pela água da cidade. Ela começou a ter convulsões, fez duas ressonâncias magnéticas e acabou hospitalizada. Foi a água que provocou todos esses problemas”, explica.

Em 2014, para fazer economias, a administração local decidiu utilizar a água do rio que atravessa a cidade, mas ela corroeu a tubulação que forma a rede de água e esgoto, liberando chumbo, substância tóxica, principalmente para crianças. “As consequências para as crianças são graves: atrasa o crescimento, limita o intelecto e cria muitos problemas de desenvolvimento”, disse à RFI o engenheiro Marc Edwards, o primeiro a analisar as amostras da água contaminada.

Políticos locais ignoraram o sofrimento das vítimas

A revolta dos moradores de Flint foi motivada pela negligência dos políticos locais, do prefeito ao governador, apesar de inúmeros “alertas”, explica a correspondente da RFI em Washington, Anne-Marie Capomaccio. Nessa cidade, destruída pela crise econômica de 2008, são os mais pobres que sofreram com a contaminação. Mas durante meses, eles foram alvo da indiferença geral.

A advogada Trachelle Young foi uma das primeiras a prestar queixa. Ela representa cinco mil moradores vítimas da água envenenada. “As crianças precisam de um acompanhamento regular, com um sistema que financie esse controle, independentemente delas terem assistência social ou não”, explica.  Os moradores da cidade esperam que Barack Obama declare catástrofe nacional, como foi o caso do furacão Katrina na Louisiana, o que permitiria a liberação de recursos para as crianças atingidas. As vítimas também querem que os responsáveis sejam julgados.

 

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