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Linha Direta

"Mini Davos" latino mostrará sintonia entre Macri e Temer

Áudio 05:07
O acordo foi assinado pelo presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e pelo presidente da UIA, Adrián Kaufmann Brea
O acordo foi assinado pelo presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e pelo presidente da UIA, Adrián Kaufmann Brea portaldaindustria.com.br

Começa nesta segunda-feira (12), em Buenos Aires, o primeiro Foro de Investimentos e Negócios que pretende se tornar o equivalente na América Latina ao Foro Econômico Mundial de Davos. A Argentina pretende estimular os investimentos diretos externos.

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Até quinta-feira, o Foro vai debater os novos rumos na região com a chegada de Maurício Macri ao governo argentino e a confirmação de Michel Temer na Presidência do Brasil. Com Macri e com Temer, Brasil e Argentina passam a ter uma sintonia para a expansão dos negócios bilaterais, ambiente que não se via há mais de 10 anos.

O Foro promete ser o espaço onde a Argentina vai tentar recuperar o terreno perdido em investimentos diretos externos, ingrediente crucial para o país voltar a crescer depois de cinco anos de recessão. O objetivo é apresentar ao mundo a nova Argentina, um país que, desde dezembro, iniciou a transição de uma economia fechada, estatizada e subsidiada para uma economia aberta e competitiva. Em outras palavras, anunciar que o clima mudou e ficou "simpático" aos investimentos.

O Foro acontece em um período de fortes transformações políticas e econômicas na região. Por isso, o evento pretende ser uma referência da região para o mundo. Serão mais de dois mil líderes de companhias regionais e multinacionais. Para o governo de Maurício Macri, o objetivo é recolocar a Argentina no radar da América Latina, depois de 10 anos de constantes quedas de investimentos.

País espera por investimentos

Por exemplo, todos os anos, a América Latina recebe em média 13% do Investimento Direto Externo global - cerca de US$ 160 bilhões de dólares. Desse montante, a Argentina recebeu, entre 2008-2015, apenas 5%, quando antes recebia 16%. Os números já melhoraram muito, mas ainda estão longe do ideal. Segundo o próprio Presidente Macri, já houve anúncios de investimentos de US$ 35 bilhões. Esse número é sete vezes superior do que o registrado no ano passado: tratam-se de anúncios de investimentos para os próximos três ou quatro anos de empresas já radicadas no país, com autorização para desembolsar investimentos  paralisados à espera de definições políticas e econômicas.

Algo parecido acontece no Brasil, mas esse movimento já começou em 2011 na Argentina. A previsão é que, neste ano, o país ainda continue em recessão, com queda em torno de 1%, a previsão é que o crescimento seja acima de 4% a partir de 2017.

Presidência de Michel Temer é vista com bons olhos no país vizinho

O Brasil é o principal comprador de tudo o que a Argentina vende ao mundo. O Brasil absorve 40% das exportações argentinas e é um dos principais investidores com US$ 12 bilhões em investimentos. Mas, nos últimos anos, a queda da economia brasileira tem feito estragos na Argentina. Na única coisa que o desabamento brasileiro beneficiou a Argentina foi pelo contraste. Enquanto o Brasil se mostrou opaco ao mundo, a Argentina brilhava por estar numa nova fase.

Os empresários estão sorrindo de orelha a orelha. Em poucos meses, eles viram um giro de 180 graus nos dois países. Para o mundo empresarial, a eleição de Macri já tinha sido uma excelente notícia. E o giro se completou com a definição brasileira a partir da confirmação de Michel Temer na Presidência.

Por isso, na quinta-feira passada, os empresários brasileiros da Confederação Nacional da Indústria vieram a Buenos Aires para criar com a União Industrial Argentina um Conselho Empresarial Brasil-Argentina para incentivar investimentos bilaterais e encontrar soluções conjuntas às dificuldades de expansão comercial.

Argentina elimina barreiras cambiais

Desde que Macri chegou ao governo, foram eliminadas todas as barreiras cambiais de acesso à moeda estrangeira e restrições nas importações e nas exportações. O país passou a ter livre movimento de capitais e saiu da situação de calote da dívida. Também houve uma veloz inserção no cenário financeiro internacional - medidas para atrair o investimento externo.

A grande vilã é a inflação que anualizada está acima de 40% enquanto a meta era abaixo de 25%. O grande desafio é controlar a inflação e voltar a crescer forte para ganhar as eleições legislativas dentro de um ano e para garantir a governabilidade do governo Macri.

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