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Colômbia/Acordo

Pedido de perdão das Farc marca assinatura de acordo de paz

Com uma cerimônia solene, a Colômbia firmou nesta segunda-feira, na cidade de Cartagena, um histórico acordo de paz com a guerrilha das Farc, para acabar com um conflito de mais de meio século.
Com uma cerimônia solene, a Colômbia firmou nesta segunda-feira, na cidade de Cartagena, um histórico acordo de paz com a guerrilha das Farc, para acabar com um conflito de mais de meio século. REUTERS/John Vizcaino

O governo colombiano e as Farc assinaram na tarde desta segunda-feira (26) o acordo de paz histórico na Colômbia que põe fim a 52 anos de conflito. A cerimônia solene, que reuniu mais de 2.500 pessoas, incluindo líderes mundiais e vítimas da guerrilha aconteceu em Cartagena, norte da Colômbia.

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O presidente Juan Manuel Santos e o principal líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido por seus nomes de guerra Timoleón Jiménez e Timochenko, firmaram o pacto anunciado em 24 de agosto, após quase quatro anos de negociações em Cuba.

Cantos para a paz de comunidades afro-colombianas, hino nacional e discursos dos responsáveis pelo histórico acordo fizeram parte do momento tão aguardado pelos colombianos. Seguindo a tradição, os presentes estavam vestidos de branco e testemunharam a assinatura do acordo que enterra definitivamente um conflito que deixou mais de 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e cerca de 6,9 milhões de deslocados.

Simbolicamente, o presidente Santos assinou o documento de 297 páginas com uma caneta fabricada a partir de destroços de balas disparadas durante confrontos. Na sequência, ele ofereceu ao líder da guerrilha um broche representando uma pomba que tem em seu bico uma faixa com as cores da bandeira do país. Os dois homens trocaram o primeiro aperto de mão em solo colombiano.

Primeiro a falar, o líder da guerrilha marxista saudou uma “nova era de reconciliação e de construção da paz” antes de, pela primeira vez, se desculpar pelo sofrimento provocado durante o conflito. “Em nome das Farc, peço sinceramente perdão a todas as vítimas do conflito, por todas as dores que causamos nesta guerra”, disse, enquanto milhares de pessoas se levantavam para agitar seus lenços brancos.

Durante seu discurso, aviões de combate sobrevoaram o centro de convenções e o barulho estridente chegou a provocar temor entre os participantes. Lodoño afirmou: “Desta vez, eles vieram saudar a paz e não largar bombas”.

“Senhor Rodrigo Lodoño Echeverri, efetivamente, esses aviões vieram saudar a paz”, respondeu Juan Manuel Santos, abrindo seu discurso. O presidente colombiano fez uma homenagem às vítimas e saudou a presença dos 15 chefes de Estado latino-americanos presentes na cerimônia, entre eles, o cubano Raúl Castro, um dos mediadores das negociações de paz, que aconteceram em Havana.

“Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra!”, insistiu. A frase foi repetida pelos presentes. Santos também se dirigiu aos ex-combatentes, que segundo o acordo, irão compor uma formação política: “Bem-vindos à democracia!”. Ele ainda defendeu a assinatura do documento: “Eu prefiro um acordo imperfeito que salva vidas a uma guerra perfeita”. Pelo pacto, os guerrilheiros, além de se transformarem em partido político, deverão entregar suas armas.

Um movimento liderado pelo ex-presidente Alvaro Uribe não aceita que os guerrilheiros não sejam punidos e faz campanha pelo não no referendo popular sobre o acordo de paz, que acontece no próximo domingo (2) na Colômbia.

A assinatura já trouxe consequências. A União Europeia anunciou na segunda-feira (26) que decidiu suspender a guerrilha das Farc de sua lista de organizações terroristas.

Reações

Em entrevista à Rádio França Internacional, a ex-refém das Farc, Ingrid Bettencourt, saudou o acordo, mas reconheceu que é difícil lidar com sentimentos contraditórios.

“Acho que as vítimas fazem um grande esforço por esse perdão. Racionalmente, sabemos que isso é necessário, para esquecer o passado e também ajudar na construção de um país que deve abrir a porta para um futuro diferente”, afirmou.

“Mas ela entra em contradição com as lembranças, o sofrimento, e por isso é difícil de administrar”, acrescentou a fraco-colombiana, sequestrada pela guerrilha há oito anos, quando fazia campanha como candidata à eleição presidencial.

“São lembranças recentes, não apenas porque há a distância do tempo, mas porque ainda vemos o impacto nos nossos familiares. Até hoje, no cotidiano, estando com meus filhos, eu sofro também com o trauma ainda presente em suas vidas, pela falta, pela distância”, diz.
 

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