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Brasil-América Latina

MST leva à Venezuela sementes para hortas urbanas

Áudio 03:34
Um dos líderes do MST na Venezuela, Denir Sosa.
Um dos líderes do MST na Venezuela, Denir Sosa. Foto: Reprodução

A cultura na Venezuela é a da importação de produtos em troca de barris de petróleo. Agora que os preços e a produção nacional da commodity estão em baixa, o país volta a olhar para o setor agrícola. Originalmente rural, a Venezuela passou a dar mais importância ao “ouro negro” ignorando que assim criava uma profunda dependência das importações.

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Elianah Jorge, correspondente em Caracas

Embora fosse do campo, foi nos últimos anos de seu governo que o militar Hugo Chávez (1954-2013) começou a tentar transformar a Venezuela em uma potência agrícola. Em 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a colher soja junto com o ex-presidente venezuelano no âmbito de um convênio firmado com a Embrapa. Mas a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária pouco depois saiu da Venezuela.

O brasileiro Denir Sosa, que chegou há dez anos ao país e é um dos responsáveis do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Venezuela, acompanhou esse processo. “Ele [Chávez] já previa que com o aumento do consumo, muito maior que o aumento da produção de petróleo, haveria problema na parte produtiva do alimento. Importar alimentos é um dinheiro que não tem retorno. Ele [Chávez] sempre teve a ideia de que aqui tem muita terra produtiva que não produz, por isso que eles fizeram a tal da revolução agrária, que é fazer a ocupação, a expropriação das terras que estavam improdutivas, segundo as taxas venezuelanas de produção.”

De acordo com Sosa, uma das principais mudanças que as autoridades venezuelanas tentam promover é a transformação de uma economia extrativista em uma economia produtiva. Durante muitos anos, a abundância de petróleo fez da Venezuela um país monoprodutor, focado nessa commodity.

Crise de abastecimento acelera projetos

Atualmente, o país passa por uma grave crise econômica e de abastecimento. As contas públicas estão no vermelho, as colheitas continuam insuficientes para abastecer o mercado interno, e o governo teve de diminuir o ritmo das importações por causa da queda de receitas do petróleo. No setor agrícola, faltam sementes e maquinário para a semeadura, sobretudo após a expropriação da empresa Agroisleña, em 2010.

Esta semana a ministra de Agricultura Urbana, Lorena Freitez, anunciou, durante a abertura do ano escolar, que cada colégio público terá uma plantação. Pequenos espaços, até mesmo em apartamentos, estão sendo aproveitados para o cultivo.

O MST está contribuindo com os projetos de hortas urbanas, oferecendo treinamento e distribuição de sementes. Segundo Sosa, as sementes são trazidas do Brasil.

Porém, a queda da popularidade do governo, somada com a pressão opositora pelo referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro, gera uma forte preocupação neste segundo semestre: a de que falte alimento no Natal, a festa mais importante do ano para os venezuelanos.

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