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Eleição de Donald Trump nos EUA preocupa 70% dos franceses

Atmosfera cordial no primeiro encontro entre Donald Trump e Barack Obama (à direita) foi analisada com ironia pela imprensa francesa.
Atmosfera cordial no primeiro encontro entre Donald Trump e Barack Obama (à direita) foi analisada com ironia pela imprensa francesa. REUTERS/Kevin Lamarque

Dois dias após a inesperada eleição do republicano Donald Trump na Casa Branca, a imprensa francesa continua analisando a polêmica façanha do bilionário. Em sua edição desta sexta-feira (11), o jornal Aujourd'hui en France destaca que os franceses estão preocupados com a vitória do magnata.

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Aujourd'hui en France traz o resultado de uma pesquisa de opinião realizada pelo instituto Ipsos com cidadãos franceses sobre a vitória do republicano. Segundo a sondagem, 70% das pessoas ouvidas se dizem alarmadas com a eleição do bilionário. Um a cada três franceses sente medo em relação a Trump. Um a cada cinco sente raiva e desânimo sobre o resultado das eleições nos Estados Unidos.

Ao serem questionados quem na França se beneficia com a eleição de Trump, 63% respondem que é o partido de extrema-direita Frente Nacional. Para os entrevistados, a líder da legenda, Marine Le Pen, pode ganhar mais popularidade com a eleição do republicano, com quem compartilha muitas das posições e opiniões polêmicas. O Aujourd'hui en France lembra que Marine Le Pen foi a única representante da classe política francesa a celebrar abertamente o resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Le Figaro denuncia hipocrisia do processo de transição

"Como Donald Trump prepara sua entrada na Casa Branca" é a manchete do jornal Le Figaro. O diário conservador exibe uma foto do encontro do republicano com Barack Obama, na quinta-feira (10), em Washington. Com essa reunião dos dois líderes, já começou o processo de transição de poder nos Estados Unidos, destaca o Le Figaro.

Em editorial, o jornal critica a hipocrisia do processo. Há dois dias, escreve Le Figaro, o mundo se indignava com a eleição inimaginável de um homem considerado perigoso. Mas, Trump, que chegou a ser descrito como "o pior candidato da história das eleições americanas", trocou cordialidades com Obama.

Enquanto isso, escreve o jornal, a esposa do presidente, Michelle Obama, e a futura primeira-dama, Melania Trump, tomavam chá juntas. "Cenas da América tranquila", ironiza Le Figaro, "como se os atores desta furiosa campanha quisessem corrigir a imagem desastrosa que passaram ao mundo. Como se o fenômeno Trump, antes representante do caos, se tornasse agora normal". Mas, ressalta o texto, tudo isso não passa de uma mecânica institucional, e, claro, do pragmatismo americano. "O chefe mudou, é preciso trabalhar com ele", resume Le Figaro.

Resta saber se essa aparente coesão vai durar, escreve. Tudo dependerá do que Trump vai fazer na presidência. Até o momento, suas verdadeiras intenções permanecem desconhecidas, estima o diário. Tudo o que se sabe é que o bilionário se recusa a se render à política tradicional: "ele quer quebrar regras e prefere a arte da negociação". Segundo Le Figaro, é isso o que mais pode desestabilizar os Estados Unidos.

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