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Linha Direta

John Kerry defende compromisso ambiental dos EUA na COP 22

Áudio 06:35
O secretário de Estado americano, John Kerry, realiza nesta quarta-feira (16) uma coletiva de imprensa na COP 22 para reforçar o compromisso dos Estados Unidos no combate ao aquecimento global.
O secretário de Estado americano, John Kerry, realiza nesta quarta-feira (16) uma coletiva de imprensa na COP 22 para reforçar o compromisso dos Estados Unidos no combate ao aquecimento global. Mark RALSTON / AFP

A Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 22) continua nesta quarta-feira (16) em Marrakesh com debates entre os líderes sobre o financiamento do Acordo de Paris e a transição no setor da agricultura. Por outro lado, já existe um consenso de que serão necessários mais um ou dois anos para regulamentar as ações de adaptação e mitigação do efeito estufa. Como são decisões que vão reorientar completamente as economias para atividades de baixo carbono, os países ainda estão avaliando projetos e investimentos.

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Adriana Moysés, enviada especial da RFI a Marrakesh

O encontro começou há dez dias, mas as discussões diretas entre líderes de governo e ministros dos mais de 180 países participantes da conferência começam mesmo nesta quarta-feira. Um dos pronunciamentos mais esperados do dia é o do secretário de Estado americano, John Kerry. Ele vai dar uma coletiva para reforçar o compromisso dos Estados Unidos no combate ao aquecimento global, apesar do recuo anunciado pelo republicano Donald Trump durante a campanha.

Desde a eleição de Trump, com as promessas céticas que ele fez de anular o Acordo de Paris, o resto do mundo ficou sem saber o que de fato vai acontecer quando ele tomar posse em janeiro. Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases do efeito estufa do planeta e tiveram um papel fundamental na conclusão do Acordo de Paris, junto com a China.

Na terça-feira (15), nos discursos dos líderes, ficou evidente o recado para Trump avaliar os riscos de um retrocesso. Como disse o presidente francês, François Hollande, o republicano poderá ser visto como alguém que age contra os interesses do planeta. A esperança é que as próprias empresas americanas já implicadas na transição para uma economia descarbonizada, mais limpa, exerçam pressão para não perder as oportunidades que se abrem nessa nova fase. E que Trump faça o que muito político faz: mudar de programa quando assumir o poder.

Brasil lança Plataforma para o Biofuturo

Uma coalizão de 20 países liderados pelo Brasil e interessados nos campos da energia limpa e bioeconomia decidiram se unir na Plataforma para o Biofuturo. A iniciativa representa um novo esforço coletivo para acelerar o desenvolvimento de biocombustíveis e biomateriais avançados, como alternativa aos combustíveis fósseis nos setores de transportes, químicos e plásticos.

Essa plataforma vai aproveitar o desenvolvimento tecnológico que já existe no tratamento de resíduos da agricultura e da indústria química. Um dos projetos em desenvolvimento no Brasil é o do etanol celulósico, obtido por meio do aproveitamento da biomassa de cana-de-açúcar, que antes seria desperdiçada, mas passa a ser a base de um combustível sustentável de segunda geração.

O Brasil, que já tem uma experiência tecnológica de décadas nessa área, conseguiu atrair como parceiros nessa coalizão pesos pesados, como Estados Unidos, China, Índia e vários países europeus, como Suécia, Finlândia, Itália e Dinamarca. Na quinta-feira recebeu a adesão da Holanda, do próprio Marrocos - anfitrião da conferência -, além de vizinhos como Argentina, Paraguai, Uruguai e Moçambique.

A Plataforma quer desenvolver soluções que possam ajudar a reduzir as emissões de carbono em um dos setores mais desafiadores para a mitigação, que é o de transportes, responsável por cerca de 23% das emissões de gases de efeito estufa. Segundo pesquisas, os combustíveis celulósicos reduzem em até 90% as emissões de CO2, quando comparados com a gasolina. Organizações e mecanismos internacionais como FAO e UNCTAD estão apoiando essa iniciativa, bem como associações e parcerias do setor privado.

Novas tecnologias

O que é interessante observar aqui é o movimento das empresas e universidades investindo em novas aplicações e tecnologias - uma necessidade para a humanidade e para o planeta. Alguns projetos são polêmicos.

No caso do Brasil, por exemplo, existe uma pressão de parte das Ongs e empresas privadas para incluir as florestas nativas brasileiras no novo Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável, que vai gerar créditos de carbono que poderão ser comercializados. O governo brasileiro resiste e não quer que projetos de redução de desmatamento sejam elegíveis para gerar créditos de carbono.

No total, a COP 22 recebe 15 mil participantes: representantes de 180 países, que percorrem quilômetros entre a zona azul, onde ficam as salas plenárias e é a zona das delegações oficiais, e a zona verde, onde acontecem os eventos paralelos de Ongs e empresas.

O Brasil tem um espaço próprio no Pavilhão 4, o mesmo do país mais observado nessa conferência, os Estados Unidos. Com a programação desta auqrta-feira, a coletiva de John Kerry e o lançamento da Plataforma para o Biofuturo, o Pavilhão 4 vai estar no centro das atenções da COP 22.

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