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Linha Direta

Morte de Teori afeta investigações da Lava Jato na América Latina

Leonardo Meirelles, operador financeiro da Odebrecht condenado na Lava Jato, transferiu em 2013 cerca de US$ 600 mil a uma conta do agora diretor da Agência Federal de Inteligência (AFI) da Argentina, Gustavo Arribas informa jornal La Nacion.
Leonardo Meirelles, operador financeiro da Odebrecht condenado na Lava Jato, transferiu em 2013 cerca de US$ 600 mil a uma conta do agora diretor da Agência Federal de Inteligência (AFI) da Argentina, Gustavo Arribas informa jornal La Nacion. REUTERS/Mariana Bazo

A morte do juiz do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, relator das investigações da Lava Jato, tem consequência indireta em outros nove países latino-americanos onde a Odebrecht admitiu ter pago subornos.

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

As delações de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht que Teori Zavascki estava por homologar serviriam para as investigações dos Ministérios Públicos de vários vizinhos do Brasil. As investigações em cada país podem ser afetadas à medida que as investigações no Brasil forem prejudicadas. Esse é o temor que paira entre procuradores dos países envolvidos. O atraso que a Lava Jato vai sofrer, devido à morte do juiz Teori Zavascki, também implica, no mínimo, atraso nas investigações do caso Odebrecht pela América Latina.

A divulgação do conteúdo das delações no Brasil é a principal linha de investigação contra os implicados pela região. Mas além de atraso, procuradores dos países envolvidos temem que a investigação no Brasil esteja ameaçada.

Fora o Brasil, cada um dos outros nove países latino-americanos envolvidos avança nas investigações com uma velocidade diferente, muitas vezes determinada pelo interesse político de cada governo. Os mais avançados são Peru e Colômbia e os menos avançados, Argentina e Venezuela. E já começa a haver pressão popular, para as investigações não serem interrompidas.

Amanhã, quarta-feira, na cidade do Panamá haverá uma marcha popular que também vai pedir que a Odebrecht não participe mais de nenhuma licitação pública. No Panamá, a Odebrecht confessou ter pago US$ 59 milhões. A propina teria sido aos filhos do ex-presidente Ricardo Martinelli. No domingo passado, uma marcha em Santo Domingo, na República Dominicana, levou milhares de pessoas a pedir a anulação de todos os contratos da Odebrecht no país. A marcha também pediu a identificação e a condenação dos subornados.

Na sexta-feira passada, a Odebrecht fechou um acordo com a Procuradoria Geral da República Dominicana. Vai pagar US$ 184 milhões como indenização pelos subornos. Esse montante é o dobro dos US$ 92 milhões de propina que a companhia brasileira pagou na República Dominicana e maior até do que o lucro de US$ 163 milhões  que a Odebrecht disse ter tido no país.

Quem recebeu os subornos?

Além da República Dominicana, a Odebrecht já fechou acordos de colaboração com Peru, Colômbia e Panamá. Deve selar um acordo também com o Equador nos próximos dias. Os procuradores têm o objetivo de determinar quem recebeu os subornos. Já o objetivo da empresa é poder continuar nesses países. 80% do faturamento da empreiteira vem do exterior.

Os acordos já começam a revelar nomes. Nos últimos dias, na Colômbia e no Peru, três pessoas foram presas e uma é fugitiva. São os primeiros presos fora do Brasil. No Peru, foi preso Edwin Luyo, acusado de receber propina da Odebrecht num contrato de construção do metrô de Lima em 2009, durante a Presidência de Alan García. Já o deputado Jorge Cuba, ex-ministro das Comunicações de Alan García, conseguiu fugir antes de ser preso.

Na Colômbia, foram presos Gabriel García Morales, ex-vice-ministro dos Transportes durante o governo de Álvaro Uribe, e o ex-senador Otto Nicolás Bula, acusados os dois de receberem propinas em troca de favorecer a Odebrecht na construção de uma estrada.

Ambiente político

O escândalo Odebrecht coloca lenha na fogueira política. O Equador está em plena corrida para as eleições presidenciais no mês que vem, em 19 de fevereiro. Como o período de subornos no Equador aconteceu inteiramente durante os mandatos de Rafael Correa, a oposição ataca o candidato de Correa, Lenín Moreno. Já Correa acusa o candidato opositor e prefeito de Quito, Mauricio Rodas, de ser amigo de um empresário que teria sido beneficiado por uma obra da Odebrecht.

Aqui na Argentina, os subornos aconteceram durante o governo anterior de Cristina Kirchner, mas existe uma suspeita sobre quem é hoje o atual chefe da Agência Federal de Inteligência, Gustavo Arribas. Em 2013, Arribas teria recebido quase 600 mil dólares por operar a favor da uma obra da Odebrecht. Ele nega. Diz que recebeu apenas 70 mil dólares, mas pela uma venda de um imóvel no Brasil.

Nesta terça-feira, dentro de algumas horas, o governo argentino vai emitir uma nota em defesa de Gustavo Arribas. Em muitas obras, a Odebrecht se associou a uma empreiteira argentina chamada Lecsa. O dono da Iecsa é Ángel Calcaterra, primo do presidente Mauricio Macri.

 

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