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EUA/Reino Unido

Europeus podem dificultar aliança entre Donald Trump e Theresa May

A chefe de governo britânico discursou nesta quinta-feira (26) para membros do Partido Republicano reunidos na Filadélfia.
A chefe de governo britânico discursou nesta quinta-feira (26) para membros do Partido Republicano reunidos na Filadélfia. EUTERS/Mark Makela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúne nesta sexta-feira (27) com a primeira-ministra britânica, Theresa May, em Washington. Eles vão discutir os futuros acordos comerciais que o Reino Unido poderá assinar com os Estados Unidos após a saída dos britânicos da União Europeia (UE), o chamado Brexit.

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Este será o primeiro encontro do bilionário, desde que assumiu a presidência, há uma semana, com um líder estrangeiro. A reunião tem, sobretudo, um objetivo simbólico. Trump, que ganhou a antipatia dos líderes europeus ao defender o Brexit, quer mostrar que é capaz de tecer alianças bilaterais vantajosas, seguindo a nova cartilha isolacionista da Casa Branca. No entanto, a negociação de acordos comerciais entre o Reino Unido e os Estados Unidos deve ser longa e complicada, por razões jurídicas e também porque tanto May quanto Trump vão querer defender os interesses de seu próprio país.

Com esse espírito, May começou a preparar o terreno antes da reunião. Ontem, em discurso para membros do Partido Republicano na Filadélfia, a primeira-ministra criticou a aproximação entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. "Quando falamos de Rússia, é sábio tomar o exemplo do presidente (Ronald) Reagan que, durante as negociações com seu homólogo russo, Mikhail Gorbachov, tinha o costume de seguir o refrão: 'confie, mas verifique'. Com o presidente Putin, o meu conselho é: cooperem, mas tenham cuidado", declarou May.

A premiê destacou ainda a importância das instituições internacionais, como a ONU e a Otan, criticadas por Trump em várias oportunidades. "As Nações Unidas precisam ser reformadas, mas ainda são vitais", em particular na luta contra o terrorismo e a mudança climática, afirmou May, que também defendeu o papel do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e da Otan, "pedra angular da defesa do Ocidente".

O presidente americano e a premiê farão uma coletiva de imprensa logo após o encontro, nesta tarde. Apesar de ter travado uma guerra com a imprensa americana, Trump garantiu, por meio de seu porta-voz, que vai responder às questões dos jornalistas.

Londres leva advertência

Em uma reunião do Executivo europeu nesta sexta-feira (28) em Bruxelas, o ministro britânico das Finanças, Philip Hammond, disse que seu país respeitará as regras da União Europeia, como a de não negociar acordos comerciais bilaterais, enquanto permanecer como membro do bloco. Mas disse igualmente que o Reino Unido "quer reforçar os laços com muitos sócios comerciais ao redor do mundo".

Bruxelas já advertiu Londres que, enquanto permanecer membro do bloco, só pode "falar" sobre, mas não "negociar" tratados de livre comércio com outros países, como os Estados Unidos, uma competência exclusiva do Executivo comunitário, como recordou na quarta-feira o negociador europeu para o Brexit, Michel Barnier.

O Reino Unido, que pretende comunicar oficialmente até o fim de março a intenção de sair da UE, o que iniciará até dois anos de negociações, já começou conversas bilaterais sobre futuros acordos comerciais com Índia, Austrália e Nova Zelândia.

Hollande reconhece 'desafio comercial' para europeus

Em visita a Berlim para um encontro com a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, afirmou hoje que Trump representa um "desafio" para a União Europeia, em especial na área comercial. A respeito da Europa, "falemos muito francamente: há desafios que a administração americana representa no que diz respeito às regras comerciais, também no que diz respeito ao que deve ser nossa postura para resolver os conflitos no mundo", disse Hollande. 
 

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