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Linha Direta

Conselho Eleitoral confirma segundo turno no Equador

Áudio 04:33
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador confirmou, nesta quarta-feira (22), que o candidato da situação, Lenín Moreno, e o opositor de direita, Guillermo Lasso, disputarão o segundo turno.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador confirmou, nesta quarta-feira (22), que o candidato da situação, Lenín Moreno, e o opositor de direita, Guillermo Lasso, disputarão o segundo turno. REUTERS/Mariana Bazo

No final da noite desta quarta-feira, o Conselho Nacional Eleitoral do Equador anunciou oficialmente que o país terá segundo turno nas eleições presidenciais, no próximo 2 de abril. O anúncio foi feito em rede nacional de TV dada a tensão que se viveu no Equador desde domingo com a eleição mais acirrada das últimas décadas.  

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

O segundo turno é um duro revés para os planos do governo do presidente Rafael Correa, há 10 anos no cargo. A recessão econômica e o caso Odebrecht de corrupção são alguns dos fatores que prejudicam o candidato do governo e que potencializam a oposição como representante de uma mudança.

O presidente do Conselho Nacional Eleitoral do Equador, Juan Pablo Pozo, fez o anúncio que o país esperava desde domingo passado: o candidato do governo, Lenín Moreno, vai disputar o segundo turno com o candidato opositor de centro-direita, Guillermo Lasso. O candidato governista da Aliança PAÍS obteve 39,3% dos votos enquanto o candidato da oposição conservadora, Criando Oportunidades, ficou com 28,1%.

No Equador, para ser eleito presidente, basta o candidato obter 40% dos votos com um diferença de 10 pontos sobre o segundo colocado. Ou seja: com 39,3% dos votos, o candidato do governo, Lenín Moreno, ficou a apenas 0,7% de ser eleito logo no primeiro turno.

Diminuição da tensão social

O segundo turno foi crucial para acalmar os ânimos num país totalmente polarizado. O candidato da oposição, Guillermo Lasso, tinha pedido aos seus seguidores que fossem às ruas defender o voto das urnas. A suspeita de fraude a favor do candidato do governo crescia à medida que a lentidão na apuração adiava o resultado da eleição.

Durante três dias, milhares de pessoas fizeram uma vigília em frente ao Conselho Nacional Eleitoral em Quito e em outras cidades para exigir o resultado. O presidente Rafael Correa foi quem nomeou a maioria dos responsáveis pela Justiça Eleitoral. E como o seu candidato estava no limiar de ser eleito, as suspeitas de fraude aumentaram.

Segundo turno será espécie de plebiscito

O segundo turno será uma espécie de plebiscito. De um lado, a continuidade de um modelo que combina gasto social com altos impostos e endividamento. Do outro lado, uma mudança de rumo a uma economia aberta pró-mercado. O candidato governista, Lenín Moreno, foi vice-presidente de Rafael Correa entre 2007 e 2013. O candidato da oposição, Guillermo Lasso, é presidente executivo do Banco Guayaquil.

A maioria dos analistas políticos acredita que os 39% obtidos pelo candidato governista estão muito perto do seu teto potencial de votos. O número está em sintonia com os 40% de popularidade do presidente Rafael Correa. Já os 28% do candidato opositor são uma espécie de piso com muito mais potencial para crescer. Por isso, o candidato do governo ganhou o primeiro turno, mas essa vitória tem sabor de derrota.

60% dos eleitores votaram contra o governo. Se o espectro opositor se unir, a tendência é de uma vitória da oposição. De fato, a candidata Cynthia Viteri que ficou em terceiro lugar, com 16,3% dos votos, já anunciou apoio ao candidato da oposição.

 Equador pode ser o próximo país na América do Sul a dar uma guinada à direita

Todas as eleições nos últimos 15 meses foram derrotas para os governos e vitórias da oposição. Começou com Mauricio Macri na Argentina, continuou com as eleições legislativas na Venezuela, passou pela Bolívia que negou um quarto mandato ao presidente Evo Morales e foi ao Peru com Pedro Pablo Kuczynski. Com uma vitória da oposição no Equador, Nicolás Maduro na Venezuela ficaria ainda mais isolado.

As razões para uma guinada à direita são basicamente três: em primeiro lugar, uma queda no valor das matérias primas que afeta as contas públicas e provoca recessão. No caso do Equador, foi a queda do barril de petróleo. Em segundo lugar, escândalos de corrupção. No caso do Equador, foi a corrupção na petrolífera Petroecuador e da brasileira Odebrecht.

E, em terceiro lugar, governos que se estendem no tempo e acumulam poder em excesso com autoritarismo.No Equador, por exemplo, a perseguição a jornalistas através da chamada "lei mordaça" é permanente.
 

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