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Revolta

Tensão aumenta em segundo dia de greve geral na Guiana Francesa

Primeiro dia de mobilização em Caiena, maior cidade da Guiana Francesa, na segunda-feira (27).
Primeiro dia de mobilização em Caiena, maior cidade da Guiana Francesa, na segunda-feira (27). jody amiet / AFP

A tensão social se acirra nesta terça-feira (28) na Guiana Francesa, que entra em seu segundo dia de greve geral, depois de uma semana de caos. Os habitantes do território ultramarino da França, que faz fronteira com o Estado do Amapá, denunciam a insegurança e o desemprego que assolam o local.

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Os guianenses dão continuidade à paralisação geral nesta terça-feira e participam de marchas em Caiena, maior cidade do território, e em Saint-Laurent-du-Maroni. O movimento é liderado pelo coletivo "Pou la Gwiyann dékolé" (Para que a Guiana decole, em dialeto crioulo), que integra coletivos contra a delinquência, do principal sindicato local, além de organizações de agricultores, professores e do setor do transporte. O primeiro dia de paralisação teve fraca adesão da população, mas os organizadores prometem reforçar a mobilização nesta terça-feira.

Os manifestantes querem mostrar seu descontentamento e pressionar o governo francês a ouvir as reivindicações. A população pede um plano urgente contra a insegurança, o desemprego e a falta de infraestrutura pública para garantir o bem-estar dos guianenses.

O governo francês prometeu enviar até o final da semana uma delegação ministerial ao local. O primeiro-ministro Bernard Cazeneuve anunciou a construção de uma penitenciária e de um tribunal na localidade de Saint-Laurent-du-Maroni, na fronteira com o Suriname, rota de imigração clandestina para a Guiana Francesa, que funciona como porta de entrada para a União Europeia.

Na segunda-feira (27), o presidente francês, François Hollande, fez um apelo para que a calma seja restabelecida no território onde vivem mais de 260 mil pessoas. "A prioridade é combater a insegurança", declarou o chefe de Estado, que garantiu o envio de recursos.

Motim começou há uma semana

O motim teve início há cerca de uma semana, com a paralisação de funcionários da companhia pública de energia EDF e do hospital de Kourou. Sindicatos aderiram à mobilização, que montou barricadas nas estradas e bloqueou o aeroporto internacional Félix Eboué.

A insegurança permanente é o que mais acirra os ânimos na população. No ano passado, 42 homicícios e 2.338 roubos com violência foram registrados no território.

O movimento "Pou la Gwiyann dékolé" alega que só aceita dialogar com os ministros franceses e se recusa a negociar com as autoridades locais. "Temos a impressão que o governo não se dá conta da revolta da população. Cerca de 30% dos habitantes não têm acesso à água potável ou à eletricidade", declarou Antoine Karam, deputado socialista da Guiana.

A mobilização também atrapalhou o lançamento do foguete francês Ariane 5 - inicialmente previsto para última terça-feira (21) para colocar em órbita o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) da Telebras e outro da sul-coreana Ktsat. A estrada que dá acesso ao Centro Espacial de Kourou está bloqueada pelos grevistas desde a semana passada.

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