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Linha Direta

Venezuela realiza manobras militares contra ameaça dos EUA

Áudio 04:54
O presidente venezuelano Nicolás Maduro, no Palácio Miraflores, em Caracas, em frente à pintura que retrata Simón Bolívar, herói da chamada "Revolução Bolivariana", em 22 de agosto de 2017.
O presidente venezuelano Nicolás Maduro, no Palácio Miraflores, em Caracas, em frente à pintura que retrata Simón Bolívar, herói da chamada "Revolução Bolivariana", em 22 de agosto de 2017. REUTERS/Marco Bello

A Venezuela realiza neste sábado (26) e domingo (27) manobras militares para responder à ameaça feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que “não descarta uma invasão militar” no país comandado por Nicolás Maduro. Mas será que Caracas está preparada para um possível confronto com Washington?

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Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

O presidente venezuelano Nicolás Maduro se reuniu na quinta-feira (24) com o alto comando militar para definir pontos das manobras cívico-militares batizadas de “Soberania Bolivariana 2017”, que serão realizadas neste sábado (26) e domingo (27). O presidente fez questão de destacar que a prática não é para alarmar a população e sim para enfrentar a “ameaça imperial”, em referência a como os Estados Unidos são chamados pelo governo da Venezuela.

Embora a atividade seja para se preparar para um possível combate contra a maior potência bélica do planeta, foi solicitado aos civis irem vestidos com roupas leves e com um boné vermelho, a cor da revolução chavista. Durante o treinamento, serão reforçados os conhecimentos básicos militares.

Nesta quinta-feira foi realizada uma simulação do exercício, que foi transmitida pelo canal estatal de televisão, mostrando as práticas de tiro e manobras militares em cinco estados venezuelanos. Grande parte dos participantes são da Força Armada Nacional Bolivariana, mas milicianos, civis e até mesmo pescadores, usando as próprias embarcações, irão participar do exercício.

Não é a primeira vez que a Venezuela faz um exercício militar para chamar a atenção dos Estados Unidos. Especialistas no tema afirmam que a cúpula do governo venezuelano está indo longe demais e sem medir as consequências da prática militar. O ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou que o americano Donald Trump “está se metendo com todo o povo e com isso estaria desestabilizando toda a América”. Para Padrino, uma possível ação dos Estados Unidos seria um “ato louco e de supremo extremismo”.

Já o presidente Nicolás Maduro chamou de “vulgar e ofensiva” a ação de Trump. Maduro garantiu que caso os "gringos" invadam a Venezuela isso será muito ruim para os americanos.

Poderio bélico da Venezuela: maior parte das armas vem da Rússia

A Venezuela ocupa o 17° lugar no grupo de países que mais importam armas recentemente, de acordo com um organismo internacional. A maioria dos armamentos adquiridos pela Venezuela são de origem russa. Para efeitos de comparação, o orçamento para a defesa dos Estados Unidos é de 587 bilhões de dólares, enquanto o da Venezuela é de quatro bilhões de dólares.

Os Estados Unidos possuem mais de treze mil aviões de guerra, a Venezuela apenas 280. Só de pessoas com treinamento militar em caso de combate, os Estados Unidos têm mais de um milhão de pessoas. A Venezuela, pouco mais de cem mil combatentes.

O contraditório é que ambos os países trocam farpas, mas não abandonam a intensa relação comercial que acontece há décadas com a compra e venda de petróleo. No entanto, o acirramento da delicada situação interna da Venezuela tem levado os Estados Unidos a fazerem críticas cada vez mais fortes contra o governo de Maduro.

Recentemente o vice-presidente americano, Mike Pence, declarou ao povo que “estaremos com vocês até que a democracia seja reestabelecida na Venezuela”.

Situação econômica e social grave

A situação econômica e social continua grave e tensa por aqui. Esta semana, Choroni, uma cidadezinha na costa venezuelana, foi inundada por uma enxurrada e até o momento pelo menos quatro pessoas morreram, mais de 29 estão desaparecidas e 600 famílias estão sem recursos, algumas até mesmo desabrigadas, em um dos piores desastres naturais recentes naquela região.

Já na área da saúde, em um hospital infantil localizado na capital Caracas, oito crianças morreram esta semana após fazer hemodiálise por uma suposta contaminação nos equipamentos. No interior do país a falta de gás doméstico tem feito as pessoas voltar no tempo e usar lenha para cozinhar.

Sem contar com a criminalidade que está altíssima. É neste cenário que os exercícios militares serão realizados para combater uma suposta ameaça estrangeira, enquanto o caos econômico e social vai ganhando a batalha.

Projeção de inflação de 720% em 2017

Até o momento, as reações do setor econômico não têm sido favoráveis à Assembleia Constituinte. O preço dos alimentos vem subindo muito e a situação tende a se agravar já que a Venezuela está a poucos passos da hiperinflação. Segundo o FMI, a projeção da inflação venezuelana para 2017 é de 720%.

O país possui dois reconhecimentos: o do país com uma das maiores reservas de petróleo e o de detentor da maior inflação do mundo. O caos econômico é tamanho que falta, inclusive, dinheiro em espécie circulando nas ruas. Tem gente revendendo dinheiro, o novo item escasso no país.

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