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Apoio popular é grande desafio de partido político das FARC

Rodrigo Londono, conhecido como Timochenko, durante discurso no Congresso das FARC em Bogotá, em 27 de agosto de 2017.
Rodrigo Londono, conhecido como Timochenko, durante discurso no Congresso das FARC em Bogotá, em 27 de agosto de 2017. REUTERS/Jaime Saldarriaga

Pela primeira vez em 50 anos de existência das FARC, os ex-guerrilheiros da organização cantaram seu hino em voz alta no centro da capital colombiana, uma imagem improvável até pouco tempo atrás. Depois de percorrerem centenas de quilômetros de ônibus, mais de mil ex-combatentes chegaram a Bogotá para definir que tipo de partido político irão apresentar aos colombianos.

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Por Andrea Domínguez, correspondente da RFI em Bogotá

O chefe máximo da organização, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, instigou seus colegas a falarem para os colombianos sem sectarismos, pois o maior desafio do nascente movimento político é ganhar apoio popular. Mas o ex-comandante guerrilheiro disse que a transição à democracia não significa de jeito nenhum deixar de lado os fundamentos ideológicos que nortearam a organização insurgente por mais de meio século.

“Estamos dando um passo transcendental. Vamos nos transformar a partir deste evento em uma nova organização exclusivamente política, que exercerá sua atividade por meios legais. Mas isso não significa renunciar ao nosso projeto de sociedade. Continuaremos sendo tão revolucionários quanto no nosso início”, frisou Londoño, que se recupera de um acidente cerebral vascular (AVC).

Os diversos representantes das FARC que falaram na plenária do encontro no primeiro dia de sessões enfatizaram a importância de impulsar a implementação dos acordos assinados com o governo colombiano, como ponto de partida da plataforma do partido. Um dos assuntos do acordo que mais identifica a ideologia das FARC é a modernização das áreas rurais do país.

Mistura de sentimentos entre ex-guerrilheiros

Entre os ex-guerrilheiros há uma mistura de sentimentos. Por um lado, manifestam entusiasmo e expectativa pela transformação em força política legítima. Mas muitos deles também sentem temor por sua própria segurança, pois, apenas nos últimos seis meses, 12 foram assassinados.

“Nós temos muita vontade de trabalhar com a gente nas zonas rurais, mas também sentimos medo do que possa acontecer com muitos de nós porque vários companheiros têm sido assassinados e também muitos líderes sociais, pelo país inteiro”, explica “Sol”, ex-guerrilheira de 19 anos que chegou do sul do país e que confessa ter se juntado à guerrilha quando estava com apenas 17 anos.

Para o lançamento do congresso, as FARC tinham convidado a 15 pré-candidatos presidenciais de diversas tendências políticas, mas nenhum deles compareceu. Essas cadeiras vazias representam o largo caminho que tem pela frente a ex-guerrilha antes de estar realmente inserida no jogo político.

Porém, para os antigos combatentes, o congresso de seu partido já é um sucesso: na sexta que vem (1), vão comemorar o nascimento de seu novo partido político com direito a um grande concerto na Praça de Bolívar, o tradicional centro histórico e político do país.

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