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Ditadura

Argentino, suspeito de tortura, apela à Justiça francesa para evitar extradição

Há 40 anos as Mães da Praça de Maio se reúnem em nome dos desaparecidos na ditadura argentina.
Há 40 anos as Mães da Praça de Maio se reúnem em nome dos desaparecidos na ditadura argentina. De Georgez /commons.wikimedia

Mario Sandoval, um ex-policial suspeito de participação no desaparecimento de um estudante durante a ditadura militar argentina, apelou ao Tribunal de Cassação da França, depois que Justiça emitiu um parecer favorável à sua extradição.

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A câmara de instrução da Corte de Apelação de Versailles já havia emitido, no dia 19 de outubro, um parecer favorável à extradição do ex-policial, solicitada por Buenos Aires desde 2012.

A justiça argentina o acusa de ter sido cúmplice no sequestro e desaparecimento do estudante de arquitetura Hernan Abriata, que, em 30 de outubro de 1976, foi detido na temida Escola de Mecânica da Marinha.

Cerca de 5 mil pessoas, detidas na escola entre 1976 e 1983, desapareceram, sendo muitas jogadas de aviões no rio da Prata.

Mais de 500 desaparecimentos

Ainda que a promotoria argentina suspeite que Sandoval tenha participado durante a ditadura de mais de 500 sequestros, torturas e mortes, somente o caso Abriata pode levá-lo a julgamento. São dezenas de testemunhos que o comprometem no desaparecimento do estudante. Um dossiê forte o suficiente para que os juízes franceses em primeira e segunda estância tenham se decidido pela extradição.

A primeira decisão data de maio de 2014, quando a Corte de Apelação de Paris decidiu-se favoravelmente pela extradição. Em fevereiro de 2015, porém, a Corte de Cassação (equivalente ao Superior Tribunal de Justiça brasileiro) considerou a possível prescrição dos fatos. Por isso, o caso foi enviado à câmara de instrução da Corte de Apelação de Versailles para um novo parecer.

Nacionalidade francesa não evitará extradição

Exilado na França desde o fim da ditadura argentina, o ex-policial Mario Sandoval tem hoje 64 anos. Portador de um passaporte francês há vinte anos, Sandoval ainda pode ser extraditado para a Argentina porque não era francês na época dos assassinatos. A decisão caberá, agora, à Corte de Cassação, onde a prescrição será mais uma vez argumentada pela defesa.

(Com agência AFP)

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