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Odebrecht

Congresso do Peru começa processo de impeachment do presidente

Pedro Pablo Kuczynski teria recebido propinas da Odebrecht quando era ministro da Economia.
Pedro Pablo Kuczynski teria recebido propinas da Odebrecht quando era ministro da Economia. REUTERS/Guadalupe Pardo

A oposição parlamentar prepara um cuidadoso processo para destituir o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, acusado de receber propina da empreiteira Odebrecht, como parte de um escândalo que atinge várias figuras políticas latino-americanas.

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Um grupo de legisladores da oposição reuniu, nesta sexta-feira (15), as 26 assinaturas necessárias para solicitar o debate no plenário do Congresso que pode levar à declaração de "permanente incapacidade moral do presidente" e "vacância da Presidência da República".

O pedido questiona o fato de que Kuczynski tenha negado de início, e de maneira insistente, os seus vínculos com a empreiteira, sendo mais tarde desmentido pela própria Odebrecht.

"Essa ação coloca em evidência a falta de verdade no presidente, o que constitui uma incapacidade moral", diz o texto assinado por parlamentares de várias bancadas opositoras, entre eles os da poderosa Força Popular, que controla o Congresso.

“O devido processo”

Na quinta-feira, a oposição já havia dado um ultimato a Kuczynski, dizendo que se não renunciasse imediatamente, o tirariam do cargo.

"Não vou abdicar da minha honra, dos meus valores, nem das minhas responsabilidades como presidente", respondeu o chefe de Estado, um ex-banqueiro de Wall Street de 79 anos, em discurso à nação na quinta-feira à noite.

Kuczynski assegurou que comparecerá a uma comissão investigadora do Congresso e colaborará com a Procuradoria. Também pediu que seja suspenso o seu sigilo bancário "para que revisem tudo o que quiserem".

"Não vou me deixar ser amedrontado", assegurou o presidente, que começou o seu mandato de cinco anos em julho de 2016.

"O importante é que respeitem o devido processo e permitam que o presidente se justifique. Mas o Peru não pode ser comandado por um presidente que mente para o povo", declarou Daniel Salaverry, porta-voz do Força Popular, partido liderado por Keiko Fujimori, com 71 das 130 cadeiras no Congresso.

Consultorias para a Odebrecht

A Odebrecht revelou que pagou quase US$ 5 milhões por assessoramento a empresas vinculadas ao presidente entre 2004 e 2013.

Do total, US$ 782 mil foram para a Westfield Capital, empresa de Kuczynski, quando era ministro da Economia e presidente do Conselho de Ministros do governo de Alejandro Toledo (2001-2006). Outros US$ 4,05 milhões foram para a First Capital, empresa de um ex-sócio.

O chefe de Estado negou ter relação direta com a First Capital, embora tenha admitido que fez uma assessoria com eles para um projeto da Odebrecht, mas legalmente.

Sobre a Westfield Capital, que é sua propriedade, disse: "nunca estive na gestão nem na administração da empresa enquanto ocupei um cargo público".

Nas duas empresas, os contratos foram geridos por seu ex-sócio, o chileno Gerardo Sepúlveda, que esteve no palco de honra do Parlamento quando Kuczynski assumiu a Presidência. As assessorias fictícias foram um dos mecanismos da Odebrecht para realizar pagamentos irregulares.

Duas das consultorias prestadas por Kuczynski estão relacionadas com a estrada interoceânica, por cuja concessão a Odebrecht admitiu que subornara com US$ 20 milhões o ex-presidente Alejandro Toledo, sobre quem pesa uma ordem de extradição dos Estados Unidos.

Kuczynski disse que se reunirá com a comissão investigadora do caso "Lava Jato" no dia 22 de dezembro. Um dia antes, ele deverá prestar depoimento à Procuradoria pelo mesmo motivo. Mas, talvez, antes ainda, o Congresso já tenha decidido o seu destino.

Favas contadas

Com a solicitação para debater a vacância, a oposição precisa agora de 52 votos para convocar o presidente ao plenário. Para o golpe final, 87 legisladores precisam votar a favor.

Com Força Popular (71), os esquerdistas da Frente Ampla (10) e do Novo Peru (10), além do Apra (5) e da Aliança para o Progresso (9), já há mais votos do que o necessário.

Se Kuczynski perder o cargo, o primeiro vice-presidente, Martín Vizcarra, ficaria no comando. Se ele renunciar, será substituído pela segunda vice-presidente, Mercedes Aráoz, atual chefe do Conselho de Ministros.

"O caso do Peru é de corrupção extrema. Está comprometendo quase todos os ex-presidentes vivos", disse à AFP o gerente geral da consultora política Vox Populi, Luis Benavente.

Kuczynski é o terceiro governante peruano com problemas pelo caso Odebrecht, pois Ollanta Humala (2011-2016) também está em prisão preventiva acusado de receber US$ 3 milhões da empreiteira brasileira para sua campanha política.

(Com agência AFP)

  

 

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