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Aumento de 40% do salário mínimo deve alimentar hiperinflação na Venezuela

Notas de bolívares penduradas em uma árvore numa rua em Maracaibo, na Venezuela.
Notas de bolívares penduradas em uma árvore numa rua em Maracaibo, na Venezuela. REUTERS/Isaac Urrutia

O presidente venezuelano anunciou no domingo (31) um aumento de 40% do salário mínimo, uma medida que, aos olhos de alguns economistas, corre o risco de alimentar a hiperinflação recorde, sofrida neste momento pelo país. O economista Williams Ruiz, professor de economia na Universidade do Rei Juan Carlos, em Madri, disse que “a medida é ilusória” em entrevista à RFI.

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Em sua mensagem de votos para 2018, o presidente venezuelano Nicolás Maduro disse que o aumento de 40% do salário mínimo, a partir de 1º de janeiro, permitiria que a classe trabalhadora enfrentasse o que chama de "guerra econômica", liderada por Washington contra a Venezuela.

Nem os venezuelanos nem a moeda local não ganharão nada com isso. É irrisório, quando pensamos na situação do país. Para aumentar o poder de compra dos venezuelanos o que seria necessário é estancar a hiperinflação. O governo fez o contrário ao aumentar o salário mínimo. Ele imprime mais dinheiro, o que aumenta ainda mais a inflação”, analisa o economista Williams Ruiz.

Inadimplente

O país liderado por Nicolas Maduro foi declarado inadimplente depois de não ter reembolsado US$ 35 milhões em dívida soberana. Novas notícias falam em um país com recorde mundial de inflação. Nos primeiros onze meses de 2017, os preços na Venezuela aumentaram cerca de 1,369%. Estes números foram fornecidos neste mês pela Assembleia Nacional, onde a oposição é maioria. O governo venezuelano não divulgou os valores da inflação no último ano.

O salário mínimo venezuelano já havia aumentado acentuadamente em julho, no auge da agitação política e da violência que deixou mais de 125 mortos. O novo salário mínimo é agora de 797.510 bolívares por mês, incluídos os tíquetes do racionamento, ou seja, US$ 7 (€ 5,80) no mercado negro.

Reconvertidos em moedas estrangeiras, os salários da Venezuela continuam caindo devido à constante e rápida desvalorização da moeda local. Se adicionarmos uma inflação galopante e uma escassez de muitos produtos básicos, o resultado é o marasmo econômico em que o país está mergulhado.

Em seu discurso de meia hora, o presidente Maduro acusou a imprensa local e estrangeira de divulgar "propaganda negativa" sobre a Venezuela, disse que o país é alvo de "ataques" em sua moeda e sofre tentativas de "sabotagem" de sua indústria petroleira.

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