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Brasil-América Latina

Com baixos impostos, Paraguai atrai investidores brasileiros

Áudio 03:50
Hugo Meza Pinto é economista e estuda a relação entre Brasil e Paraguai.
Hugo Meza Pinto é economista e estuda a relação entre Brasil e Paraguai. Divulgação

A economia do Paraguai está em alta e o país tem chamado atenção de investidores do Brasil. A Lei de Maquila, que oferece baixos impostos a negócios estrangeiros, atraiu nos últimos anos mais de 150 empresas brasileiras que passaram a funcionar em território paraguaio. Essa migração produtiva tem gerado críticas.

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Elianah Jorge, correspondente da RFI na Bolívia

O senador Eduardo Braga, do PMDB, observa com cautela a movimentação. Ele quer criar uma comissão para visitar as fábricas que antes produziam no Brasil e que agora geram rendimentos e postos de trabalho no Paraguai. A meta do político é criar mecanismos para frear este êxodo produtivo para o país vizinho.

Desde 2001 está em vigor a Lei de Maquila, que, como o próprio nome diz, é uma espécie de maquiagem de produtos que são apenas montados no Paraguai. As empresas levam total ou parte da matéria-prima para aquele país. Em seguida a mercadoria é finalizada e exportada, muitas vezes ao próprio país de origem, como no caso do Brasil. Os produtos precisam sair do Paraguai para depois serem comercializados. Assim funciona a Maquila.

O Paraguai deixou de ser revendedor de muambas. Graças a este fluxo produtivo o país tem sido chamado de a China do Brasil, em referência ao estilo de produção asiático. Hugo Meza Pinto é economista e estuda a relação entre Brasil e Paraguai. Ele enumera os principais motivos que tornaram este país, de quase sete milhões de habitantes um dos fortes concorrentes na região.

"É importante entender que o Paraguai fez o dever de casa. Diminuiu os "custos de transação", gerados pela burocracia na hora de instalar uma nova empresa", declara. "As questões macroeconômicas também foram tratadas, como diminuição de taxas de juros, aumento de fomento às pequenas e médias empresas, inflação controlada e estabilidade política e econômica, basicamente", emenda.

A gigante dos brinquedos Estrela e a empresa de roupas Riachuelo são algumas das brasileiras que já funcionam no Paraguai atraídas pela Maquila. Só no ano passado, cerca de 445 indústrias buscaram informações para se estabelecer em solo paraguaio.

A economia paraguaia é movida pelo agronegócio e pela venda de energia elétrica da Usina de Itaipu, setores responsáveis por 75% das exportações. O restante vem do setor de serviços, em grande parte movimentado pelas Maquilas.

Gustavo Rojas, pesquisador do Centro de Análise e Divulgação da Economia Paraguaia (CADEP), explica que as Maquilas têm ajudado o país a crescer, mas é preciso estar atento a esse movimento.

"Estes são investimentos muito pequenos em termos de quantia e de capacidade de promover mudanças estruturais na economia paraguaia. Estamos falando basicamente de investimentos que tem como média de US$ 2 a US$ 5 milhões, no máximo, US$ 10 milhões. São empresas pequenas ou médias comparadas às brasileiras", diz.

Antes mesmo da formação da comitiva do Senado para observar o movimento da produção no Paraguai, a Receita Federal do Brasil publicou nesta semana, no Diário Oficial, a regulamentação do funcionamento de uma zona franca, livre de impostos, nas cidades de fronteira com o Paraguai. Entre elas Foz do Iguaçu, prova de que o sucesso do pequeno vizinho está incomodando o gigante sul-americano.

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