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Facebook/Escândalo

Facebook “não faz mais a lei em Washington e terá regras a respeitar”, acredita imprensa francesa

O depoimento do fundador e presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, no congresso americano é analisado pela imprensa francesa desta quinta-feira(12).
O depoimento do fundador e presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, no congresso americano é analisado pela imprensa francesa desta quinta-feira(12). Fotomontagem RFI

O depoimento do fundador e presidente-executivo do Facebook no Congresso americano é analisado pela imprensa francesa desta quinta-feira (12). Mark Zuckerberg depôs no Senado na terça-feira (10) e na quarta-feira (11) na Câmara dos Deputados sobre o escândalo do vazamento de dados de mais de 80 milhões de usuários da rede social, sendo 71 milhões somente nos Estados Unidos, para a empresa britânica de marketing digital e consultoria política Cambridge Analytica.

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No Senado, o dono do Facebook pediu desculpas e assumiu seus erros no caso. Diante dos deputados, acuado, afirmou não ser hostil a uma regulamentação da internet, escreve Libération. No entanto, se recusou a contestar o modelo econômico da rede social gratuita e financiada pela publicidade

“O gigante Facebook está abalado”, noticia em sua manchete de capa Le Figaro. O jornal conservador informa que Zuckerberg defendeu sua empresa diante do ceticismo e dos ataques dos senadores e deputados americanos. O grande desafio para ele “é evitar uma regulamentação muito rigorosa do setor.”

O artigo mostra sua decepção: “Descobrimos que o Facebook, uma rede com mais de dois bilhões de perfis no mundo todo, não é um paraíso digital e sim um instrumento tecnológico tentacular que vasculha até os pequenos detalhes da vida privada de seus usuários”. Ha um mês, desde a revelação do escândalo Cambridge Analytica, que teria usado os dados privados de usuários da rede social para influenciar eleitores, o Facebook é atacado de todos os lados: na mídia, nas bolsas e por autoridades de vários países.

Riscos reais

Ele corre realmente riscos ou este escândalo é apenas uma tempestade passageira? A resposta é relativa. Apesar da campanha online para que as pessoas apaguem seus perfis, poucos concretizaram a ameaça e os resultados financeiros da empresa não foram muito afetados até agora. Mas em termos de imagem o estrago é bem maior, ressalta Le Figaro, lembrando que depois do escândalo do vazamento de dados, 56% dos americanos desconfiam da rede social.

Além da ameaça de uma regulamentação mais dura nos Estados Unidos, exigindo por exemplo maior proteção da privacidade e mais transparência no financiamento das publicidades online, o Facebook poderá também ser multado nos Estados Unidos e na Europa.

Ataques aos outros gigantes da internet

Para o Le Parisien, o dono do Facebook preparou uma defesa minuciosa no Congresso, sem espaço para a improvisações. Mas se no Senado ele se saiu bem, na Câmara deve mais dificuldades. Um de seus ângulos de defesa foi atacar os outros gigantes da internet, como Apple, Amazon, e dividir a responsabilidade do escândalo. “A Silicon Valley tem um problema. Facebook faz parte deste problema”, disse Zuckerberg segundo o diário.

Les Echos concorda e diz que os Gafam, sigla formada por Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft, estão em perda de confiança. Há um vento de revolta contra os gigantes do setor. Até agora, nenhuma lei regulamentava as obrigações dessas empresas. Mas elas não fazem mais a lei em Washington e em breve terão regras a respeitar, salienta o jornal econômico

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