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Linha Direta

Condenação de Michael Cohen complica a situação legal do presidente Donald Trump

Áudio 04:52
Michael Cohen, o ex-advogado Donald Trump chega ao palácio de Justiça em New York, em 12 de dezembro
Michael Cohen, o ex-advogado Donald Trump chega ao palácio de Justiça em New York, em 12 de dezembro ©REUTERS/Jeenah Moon

A semana foi cheia de más notícias para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após a condenação a três anos de prisão de seu ex-advogado Michael Cohen, o republicano busca uma proteção legal que parece cada vez mais desgastada.

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Nathalia Watkins, correspondente da RFI em Washington

Apesar de negar ligação direta às ações de Cohen, que foi seu aliado por mais de uma década, novas investigações e um acordo entre a Justiça e o grupo de American Media, que publica o tablóide National Enquirer, pressionam a Casa Branca.

A condenação de Cohen fecha ainda mais o cerco ao presidente Donald Trump, que está furioso com o caso. Na quinta-feira (13), Trump finalmente quebrou o silêncio sobre Cohen em uma série de tuítes. O republicano tuitou que especialistas jurídicos estabeleceram que ele "não errou" e novamente negou ter violado as leis de financiamento de campanha. Trump acrescentou que o advogado admitiu as ações apenas para ter a sentença reduzida.

Na quarta-feira (12), Cohen, pediu desculpas por acobertar os "atos sujos" de seu ex-chefe, ao ser condenado a três anos de prisão por vários crimes. Cohen admitiu evasão fiscal, declarações falsas a um banco e contribuições ilegais de campanha. Ele também se declarou culpado de mentir diante do Congresso, uma acusação decorrente da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a intervenção russa na campanha presidencial em 2016.

Entre as acusações contra Cohen também estavam pagamentos secretos para silenciar duas mulheres que ameaçaram falar sobre seus supostos casos com Trump durante a campanha eleitoral. Outra má notícia para a Casa Branca foi a imunidade concedida pela Justiça ao grupo American Media, que publica o tablóide National Enquirer, no caso do ex-advogado de Trump.

Caso pode trazer mais irregularidades à tona

A revista serviu de plataforma para Trump por anos e está envolvida no caso dos pagamentos secretos a duas mulheres que se envolveram com o presidente. Em troca de informações, a Justiça concedeu imuninade para executivos do grupo de mídia. Procuradores acreditam que David Pecker, chefe da empresa, ajudou Trump e Cohen a esconder histórias negativas em troca de dinheiro.

A imprensa americana vai além e especula que o acordo pode trazer a tona mais irregularidades do passado de Trump e complicar ainda mais a situação legal do presidente. Mais investigações Segundo o Wall Street Journal, procuradores federais investigam agora irregularidades relacionadas a doações de 107 milhões de dólares para o comitê inaugural de Donald Trump em 2017.

Parte dos materiais que fundamentam a investigação partiram do advogado Michael Cohen. As autoridades investigam também se alguns dos maiores doadores deram dinheiro para a campanha em troca de acesso ao presidente, concessões políticas e influência. Pagar por favores politicos é crime federal.

Senado contra Trump

O Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução para pôr fim ao apoio militar que Washington dá à Arábia Saudita na guerra no Iêmen. A ação sinaliza um senso de urgência crescente tanto entre republicanos quanto entre democratas de que a Arábia Saudita deve ser punida pela morte do jornalista Jamal Khashoggi. Os senadores também aprovaram uma resolução para condenar o assassinato do jornalista e para denunciar que o príncipe saudita, Mohammed bin Salman, é responsável pelo homicídio.

Khashoggi foi morto no consulado saudita em Istambul em 2 de outubro. Segundo a CIA, o assassinato se deu para calar o jornalista, crítico do regime. Trump questionou a conclusão da agência de inteligência americana e continuou a apoiar o príncipe saudita, aliado econômico e diplomático de peso para os Estados Unidos.

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