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Paralisação parcial do governo americano vai prosseguir no Natal

Muro proposto por Donald Trump é motivo da paralisação parcial
Muro proposto por Donald Trump é motivo da paralisação parcial Reuters

A paralisação parcial do governo dos Estados Unidos entrou no segundo dia e prosseguirá durante o Natal, depois que o Congresso suspendeu no sábado (22) o debate orçamentário sem chegar a um acordo sobre os recursos para o muro na fronteira com o México, exigidos pelo presidente Donald Trump. Com a medida, que provocou a interrupção das atividades em várias agências importantes dos Estados Unidos, o presidente desistiu de viajar à Flórida e anunciou que permanecerá em Washington nesta segunda-feira.

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Trump tuitou que estava "negociando com os democratas sobre a segurança na fronteira, que é desesperadamente necessária (gangues, drogas, tráfico de pessoas e tudo mais)". O republicano, que transformou a luta contra a imigração ilegal em sua principal meta, rejeitou na quinta-feira (20) um texto de compromisso orçamentário preparado no Senado, porque não incluía um fundo de US$ 5 bilhões para financiar o muro.

Os democratas se opõem com veemência à construção. A falta de um acordo provocou a expiração dos fundos federais para dezenas de agências à meia-noite de sexta-feira (21). Quase 800.000 funcionários públicos entraram em licença não remunerada ou, no caso dos serviços considerados essenciais, foram obrigados a trabalhar sem pagamento. A Câmara de Representantes e o Senado celebraram sessões no sábado, mas as duas Casas adiaram os debates sem chegar a um acordo. Uma votação não deve acontecer antes de 27 de dezembro.

Visitantes do famoso National Mall, em Washington, criticaram a paralisação, chamada de "shutdown". "Penso que é ridículo e desnecessário", disse Philip Gibbs, um professor aposentado da Virginia. Jeffrey Grignon, profissional da área de saúde de Wisconsin, disse que os políticos "precisam parar de agir como crianças e fazer o seu trabalho".

Locais fechados aos turistas

Embora os turistas consigam passear em geral pela região, eles encontraram os banheiros fechados, assim como alguns pontos de interesse na capital, como a Árvore de Natal, o Arquivo Nacional e o centro de visitantes da Casa Branca. A Estátua da Liberdade em Nova York permaneceu aberta ao público graças ao financiamento de suas atividades pelo estado de Nova York.

A paralisação parcial afeta departamentos importantes como Segurança Nacional, Justiça, Comércio, Transporte, Tesouro ou Interior, que administra os parques nacionais, muito visitados durante as férias. Ao mesmo tempo, a Autoridade de Supervisão do Transporte Aéreo (FAA, na sigla em inglês) afirmou que o bloqueio não provocou nenhum efeito para a segurança dos passageiros.

Para Hank Johnson, congressista democrata da Geórgia, a paralisação afeta os funcionários que "merecem poder pagar o aluguel, os presentes de Natal e a refeição". "As coisas não vão bem nos Estados Unidos", tuitou o legislador republicano Carlos Curbelo.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, culpou o chefe de Estado pela situação. "Presidente Trump, se deseja abrir o governo, abandone o muro, é claro e simples". Segundo ele, o bloqueio está acontecendo porque o "Trump está exigindo bilhões de dólares por um muro caro e ineficiente que a maioria dos americanos não apoia", completou.

Não é a primeira paralisação do ano

Este é o terceiro "shutdown" do ano, após as paralisações de janeiro (três dias) e fevereiro (algumas horas), já por causa do tema imigração. "Isto é uma negligência por parte do Congresso e do presidente", disse David Cox, presidente da Federação Americana de Funcionários do Governo (AFGE), o principal sindicato da categoria.

A maioria republicana na Câmara de Representantes aprovou uma proposta de orçamento que incluía as demandas do presidente sobre o muro na fronteira, mas a medida foi bloqueada no Senado.

Com apenas 51 cadeiras das 100 no Senado, os republicanos não têm os 60 votos necessários para aprovar uma lei de orçamento. E não podem contar com o apoio dos democratas, que rejeitam categoricamente a ideia do muro. Para Trump o tempo é curto, porque os democratas serão novamente maioria na Câmara em janeiro, após a vitória nas legislativas de novembro.

Além disso, a paralisação acontece em um contexto de tensão, após o anúncio presidencial desta semana sobre a retirada das tropas americanas da Síria, o que provocou a renúncia do secretário de Defesa Jim Mattis e do enviado para a coalizão internacional antijihadista, Brett McGurk. Resta saber como será a reação na segunda-feira (24) de Wall Street, que na sexta-feira encerrou sua pior semana em 10 anos pela ameaça do "shutdown", o aumento das taxas de juros, a guerra comercial e a perspectiva de uma desaceleração econômica nos Estados Unidos.

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