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Migrantes/Equador

Feminicídio revela aumento da xenofobia contra venezuelanos no Equador

Moradores locais da cidade de Ibarra, no norte do Equador, gritam slogans contra imigrantes venezuelanos em um protesto perto do local onde uma mulher equatoriana foi assassinada por um venezuelano em 21 de janeiro de 2019, no centro de Ibarra.
Moradores locais da cidade de Ibarra, no norte do Equador, gritam slogans contra imigrantes venezuelanos em um protesto perto do local onde uma mulher equatoriana foi assassinada por um venezuelano em 21 de janeiro de 2019, no centro de Ibarra. RODRIGO BUENDIA / AFP

Após o assassinato de uma jovem grávida em Ibarra, diante dos olhos de vários policiais que não conseguiram evitá-lo, o Equador endureceu a política de imigração para os venezuelanos, enquanto, na cidade, no norte do país, parte da população expulsou venezuelanos de hotéis, casas e parques onde dormiam.

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Com informações da AFP e de Carlos Pizarro, correspondente da RFI em Quito

O assassinato de uma equatoriana grávida no sábado (19) em Ibarra fez com que setores da população expulsassem venezuelanos de hotéis, casas e parques onde dormiam, e exigissem que abandonassem a cidade, principal passagem para o interior do Equador, segundo a imprensa local.

"Abrimos as portas para eles, mas não vamos sacrificar a segurança de ninguém", disse o presidente equatoriano, Lenin Moreno, no Twitter. O presidente equatoriano foi rápido em anunciar a criação de uma permissão especial para entrar no país para os venezuelanos.

Diante da onda de reações contra a comunidade de venezuelanos no Equador, as ONGs de Direitos Humanos solicitaram a adoção de medidas protetivas, como o Fórum Criminal Venezuelano que, por meio de seu diretor Alfredo Romero, exigiu proteção do Estado equatoriano.

"Acho que a declaração do presidente de Lenin Moreno é totalmente inadequada. Parece que a causa do que aconteceu é a imigração venezuelana, pois são tomadas medidas contra os venezuelanos ", denunciou Romero.

"O agressor, neste caso, é um cidadão estrangeiro, o que poderia provocar uma generalização que só trará mais violência. É o momento de lembrar que o nosso povo também é migrante", disse nesta segunda-feira (21) o vice-presidente Otto Sonnenholzner. O funcionário - de ascendência alemã e libanesa - pediu à população por rádio e televisão que "aja com os demais como gostaríamos que agissem conosco".

Ficha criminal exigida a partir de agora

No entanto, também anunciou novas disposições para os venezuelanos entrarem em seu país. "A partir de hoje e em vista de o governo venezuelano separar o seu país da Comunidade Andina, será necessário que todos os seus cidadãos apresentem ficha criminal", disse. Diante da diáspora de venezuelanos, Quito apenas exigia a identidade para deixá-los entrar.

O feminicídio em Ibarra e o estupro de uma mulher por três amigos provocaram protestos no país nesta segunda-feira. "Queremos dizer ao Estado e à sociedade que não vamos promover um discurso de ódio, não vamos permitir que em nosso nome façam e digam discursos xenófobos", declarou Anaís Córdova, do coletivo Vivas nós queremos, em uma manifestação que reuniu milhares de pessoas em Quito.

Para o sociólogo Galo Díaz Pérez, a onda de violência está concentrada em Ibarra (onde ocorreram os fatos) e não se instalou na maior parte do país: "No Equador, reagimos com maturidade e mente aberta, indicando que se trata de um problema isolado, um ato criminoso execrável, e isso não representa nem reflete a atitude do Equador com a Venezuela e os irmãos venezuelanos", estima.

Segundo a ONU, desde 2015 2,3 milhões de venezuelanos fugiram do país. Segundo o Equador, 300 mil deles estão em seu território. Até o momento, 97.000 venezuelanos obtiveram o visto equatoriano.

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