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Bolívia/eleições

Abstenção marca primárias na Bolívia, consideradas manobra para legitimar candidatura de Morales

Boliviano protesta contra a candidatura de Evo Morales diante da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em La Paz. 05/12/2018.
Boliviano protesta contra a candidatura de Evo Morales diante da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em La Paz. 05/12/2018. REUTERS/David Mercado

A abstenção marcou as eleições primárias realizadas neste domingo (27) na Bolívia. O inédito pleito contou com menos de 50% dos votantes, dos 1.715.880 inscritos para eleger os candidatos de seus partidos políticos para as eleições presidenciais de outubro deste ano. 

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Elianah Jorge, correspondente da RFI na Bolívia

Apesar de o vice-presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, Antonio Costas, declarar que a participação foi “muito interessante”, críticos ao processo o consideraram um fiasco e um desperdício de dinheiro público.

Esta etapa do processo eleitoral custou cerca de US$ 4 milhões aos cofres públicos. As primárias foram criadas em meados de 2018 para que militantes, previamente cadastrados, escolhessem de forma voluntária a dupla de candidatos às presidenciais. A votação era simbólica e sem vencedores.

Opositores afirmam que o propósito desta manobra era legitimar a candidatura presidencial de Evo Morales, embora a Constituição boliviana não permita a reeleição para o que seria o quarto mandato deste líder de 59 anos. Antes da criação desta etapa, cada partido apresentava a duplas de candidatos à presidência e vice-presidência, sem que fosse preciso uma votação para isso.

Poucos partidários de Morales

O resultado deste pleito, cujo voto não era obrigatório, mostrou que o partido Movimento ao Socialismo (MAS), do presidente Evo Morales, vem perdendo popularidade entre seus militantes. Apenas 350 mil dos 992 mil votantes do MAS registrados, quase 35% de seus militantes, compareceram às urnas em todo o país.

Horas antes do fechamento das urnas, o vice-presidente e candidato nas primárias, Álvaro García Linera, afirmou que “se votam menos de 50% (dos militantes), irei me preocupar”. Já Evo Morales declarou que a oposição não permite que seus militantes votem.

Poucos dias antes das primárias, o principal concorrente e candidato do partido Comunidade Cidadã (CC), Carlos Mesa, e o presidente do Movimento Democrático Social (MDS), Rubén Costas, pediram que os inscritos não fossem votar nas eleições primárias. Apesar desta votação não ter impacto direto nas presidenciais, houve denúncias de fraude no registro de votos.

Paródia ironiza primárias

Em Santa Cruz de la Sierra, um protesto pacífico foi organizado na praça principal da mais importante cidade da Bolívia. Inspirados no referendo nacional de 2016, no qual a maioria dos bolivianos manifestou ser contra a reeleição de Evo Morales, cerca de 13 mil cidadãos votaram simbolicamente parodiando as eleições primárias.

As opções na cédula de votação do protesto eram: 21F, como é conhecida a data do referendo, e primárias. O resultado da paródia da votação foi favorável ao resultado do referendo, realizado em 21 de fevereiro de 2016, quando “Bolivia dijo no”, (Bolívia disse não, em português), frase que é repetida nas manifestações realizadas no país desde 2017.

No final daquele ano o presidente, amparado por uma falha do Tribunal Constitucional (TC), conseguiu sinal livre para se reeleger indefinidamente. O TC considerou que se candidatar livremente a um cargo prevalece sobre as limitações da Constituição. A Carta Magna do país só permite uma reeleição presidencial consecutiva.

Terceiro mandato

Evo Morales está em seu terceiro mandato e é o presidente há mais tempo no poder na Bolívia. A abstenção marcou as eleições primárias realizadas neste domingo (27) na Bolívia. O inédito pleito contou com menos de 50% dos votantes, inscritos para eleger os candidatos às eleições presidenciais de outubro deste ano. Críticos ao processo o consideraram um fiasco e um desperdício de cerca de US$ 4 milhões aos cofres públicos.

As primárias foram criadas para que militantes, previamente cadastrados, escolhessem a dupla de candidatos às presidenciais. A votação era simbólica e sem vencedores. Opositores afirmam que o propósito desta manobra era legitimar a candidatura presidencial de Evo Morales.

O pleito mostrou que o partido Movimento ao Socialismo (MAS), do presidente Evo Morales, vem perdendo popularidade. Apenas 350 mil dos 992 mil militantes deste partido, quase 35% de seus partidários, compareceram às urnas. Evo Morales afirmou que a oposição não permitiu que seus militantes votassem.

 

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