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Linha Direta

Oscar 2019 promove diversidade ao premiar mais negros e mulheres

Áudio 04:55
Melhor atriz coadjuvante foi para Regina King com Spike Lee segurando seu prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por "BlacKkKlansman".
Melhor atriz coadjuvante foi para Regina King com Spike Lee segurando seu prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por "BlacKkKlansman". REUTERS/Mario Anzuoni

O filme "Green Book - o Guia", de Peter Farrelly, que conta a história de um pianista negro que se torna amigo de seu motorista branco, levou neste domingo (24) o Oscar de melhor filme, desbancando “Roma”, de Alfonso Cúaron. A 91ª edição do prêmio mostrou o compromisso de Hollywood em dar espaço para temas engajados.

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Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

“Green Book” obteve três estatuetas de um total de nove indicações e superou na categoria principal outros sete filmes: "Pantera Negra", "Infiltrado na Klan", "Bohemian Rhapsody", "A Favorita", "Nasce uma Estrela", "Vice", e o grande favorito da noite, "Roma", com dez indicações. O longa narra a viagem do famoso pianista negro Don Shirley e de seu motorista branco Tony "Lip" Vallelonga pelo sul dos Estados Unidos, na década de 1960, em plena segregação racial.

“Green Book” acabou levando o prêmio principal além de ator coadjuvante para Mahershala Ali e melhor Roteiro Original. Já o filme que mais ganhou estatuetas, quatro no total, foi “Bohemian Rapsody”. Rami Malek, que interpreta Freddie Mercury, levou o prêmio de melhor ator, e o longa também venceu em categorias técnicas.

“Roma”, também levou três estatuetas: melhor fotografia, direção e melhor filme estrangeiro. O diretor mexicano Alfonso Cúaron subiu três vezes ao palco. O prêmio de melhor atriz coadjuvante foi para Regina King. Uma das grandes surpresas da noite foi na categoria de melhor atriz. Todos pensavam que Glenn Close enfim levaria a estatueta desta vez, já que foi indicada sete vezes, mas nunca ganhou. Quem venceu o prêmio foi Olivia Colman, do filme “A Favorita”.

Em seu discurso, ela quase pediu desculpas por estar recebendo o prêmio. Ela também desbancou Lady Gaga como atriz, mas a cantora levou seu primeiro Oscar pela canção original “Shallow”, de “Nasce Uma Estrela”, que cantou com Bradley Cooper, arrancando aplausos da plateia.

Discursos engajados

O microfone do Oscar sempre dá voz ao engajamento político e social e esse ano não foi diferente. O diretor Spike Lee foi responsável por um dos momentos mais memoráveis da noite. Ele já havia sido indicado quatro vezes anteriormente e só tinha ganhado um Oscar honorário. Ganhou nessa noite o prêmio de Roteiro Adaptado por “Infiltrados na Klan” e em seu discurso falou sobre a avó que era escrava. Ele também homenageou os ancestrais que sofreram um genocídio e construíram o país, lembrando que 2020 é ano de eleição presidencial nos EUA.

O discurso do ator Rami Malek que é filho de imigrantes egípcios, também foi emocionante. "Fizemos um filme sobre um homem gay, um imigrante que viveu a vida sem pedir desculpas. Estamos ansiosos por histórias como esta", declarou. Javier Bardén e Diego Luna só falaram espanhol no palco - e o próprio diretor de “Green Book”, Peter Farrelly, finalizou a noite com discurso contra o racismo, a xenofobia e pela igualdade.

Esse foi, sem dúvida, o Oscar da diversidade. Tanto na apresentação quanto na premiação. Neste ano não teve um mestre de cerimônia oficial, mas muitos artistas negros, estrangeiros e muitas mulheres marcaram presença. Esse ano o Oscar bateu dois recordes. Um deles traz alguma esperança em relação à desigualdade de gênero: 15 mulheres e 39 homens receberam troféus. No ano passado, foram apenas seis.

Além disso, neste ano, sete artistas negros ganharam o Oscar. Em 2017, apenas cinco levaram troféus. Isso mostra que a academia, apesar de muito tradicional, também está colocando a diversidade como prioridade e se abrindo para temas, por exemplo, como do Melhor Documentário de Curta-metragem. O vencedor da categoria, “Absorvendo o tabu”, da diretora Rayka Zehtabchi, mostra um projeto de distribuição de absorventes e de educação sexual na Índia.

 

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