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Brasil-América Latina

Bombeiros argentinos estão prontos para ajudar o Brasil na Amazônia

Áudio 05:57
Bombeiro argentino especializado em combater incêndios florestais.
Bombeiro argentino especializado em combater incêndios florestais. CFBVBRA

Duzentos brigadistas argentinos especializados em combater incêndios florestais aguardam um sinal do governo brasileiro para participar das operações contra as queimadas na Amazônia. Os argentinos formam o maior contingente de ajuda dos países vizinhos ao Brasil.

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Correspondente da RFI em Buenos Aires

No dia 22 de agosto, o presidente Mauricio Macri ofereceu ajuda a Jair Bolsonaro para combater os incêndios na Amazônia. A brigada argentina, especializada em investigação e gestão de desastres, está pronta há uma semana à espera apenas da ordem para atuar. Entre os 200 brigadistas, 60 são bombeiros que foram selecionados entre os mais de 400 que se inscreveram no Sistema Nacional de Bombeiros Voluntários (www.bomberosra.org.ar) para colaborar com o Brasil.

"A lista de voluntários especialistas em incêndios florestais aumenta a cada dia", indica à RFI Gustavo Nicola, responsável pela Coordenação Única de Operação dos Bombeiros. Ele irá ao Brasil ao lado dos demais colegas.

Nicola explica que o interesse dos bombeiros argentinos é maior do que o normal neste caso brasileiro porque existe uma dupla vocação: a de lutar contra um incêndio que destrói uma floresta, mas também a de combater uma ameaça à humanidade.

"Nós estamos sempre dispostos a colaborar, mas, este é também um incêndio que afeta a humanidade. Acredito que, neste caso, há uma dupla preocupação. O bombeiro argentino quer combater o fogo, mas também está preocupado com o dano ecológico que o mundo está sofrendo. Eu acredito que isso muda a expectativa. Por isso, há tantos bombeiros dispostos a colaborar", observa.

Culpa do homem

Nicola também acredita que o combate às chamas na Amazônia pode ajudar a despertar a consciência dos argentinos para as sua próprias florestas e, por que não, a consciência do mundo.

"Eu acho que este incêndio tem de nos deixar um ensinamento a todos para não voltar a se repetir. Tem de servir para haver uma conscientização em cada sociedade. Não só nos argentinos, mas também no mundo porque o desmatamento é mundial. Não é somente na Amazônia e na Argentina. É preciso de mais leis e de novas formas de trabalho para reverter o desmatamento. Temos de aprender com essa lição porque vamos pagar um custo alto", defende o coordenador, apontando o que a sua experiência no combate de incêndios florestais revela.

"De todos os incêndios florestais, a culpa é do homem em 90% dos casos. As causas naturais são só 10% das vezes. O resto é culpa do homem", garante.

A entrevista do bombeiro à RFI foi interrompida por dois grandes incêndios que ameaçaram as florestas de Córdoba nesta semana. No final, a situação foi controlada.

À espera de uma definição

Os brigadistas argentinos agora estão prontos à espera de uma indicação do governo brasileiro, mas esse sinal ainda não aconteceu.

"O meu papel é preparar os combatentes de incêndios florestais. Não sabemos quando partiremos nessa missão. Também não sabemos para onde vamos. Eu cumpro com o dever de ter os brigadistas prontos. As decisões dependem das chancelarias de cada país entrarem num acordo", explicou à RFI o subsecretário de Proteção Civil do Ministério da Segurança, Daniel Russo, a cargo do Serviço Nacional de Luta Contra Incêndios Florestais.

Russo pondera que as decisões, quando se tratam de incêndios, são dinâmicas, podendo variar conforme o caso. "O país que recebe a ajuda tem de saber quando é necessário. Os incêndios florestais mudam de uma hora para outra. Às vezes, a ajuda é para substituir uma equipe brasileira que possa estar cansada", exemplifica.

Além de Argentina, Chile, Equador, Colômbia e Venezuela ofereceram ajuda ao Brasil.

O Chile ofereceu quatro aviões hidrantes. O Equador acenou com três equipes de brigadistas. A Colômbia manifestou-se disposta a ajudar. A Venezuela sinalizou com o que chamou de "ajuda módica": cerca de 20 bombeiros. Até agora, o governo brasileiro não concretizou os pedidos.

O presidente colombiano, Iván Duque, propôs a Brasil, Bolívia, Equador e Peru a união em torno de um projeto regional de prevenção e de cooperação perante catástrofes ambientais na Amazônia.

Os países amazônicos farão uma reunião no dia 6 de setembro, na cidade colombiana de Leticia, na fronteira com o Brasil e o Peru. Os presidentes dos países envolvidos estarão presentes, à exceção dos dirigentes da Venezuela e da França, que não foram convidados.

O território ultramarino da Guiana Francesa, que faz fronteira com o estado do Amapá, é coberto pela floresta amazônica, mas o presidente Emmanuel Macron não foi convidado por causa do atrito diplomático com Bolsonaro. Macron tratou as queimadas na Amazônia como uma "crise internacional", enquanto o governo Bolsonaro viu neste posicionamento a ingerência do francês num assunto interno do Brasil.

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