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México

México aprova lei para diminuir obesidade ampliada por tratado comercial

Muitos mexicanos têm o hábito de comer em food trucks e estandes nas ruas, sem dar importância para o valor nutricional dos alimentos.
Muitos mexicanos têm o hábito de comer em food trucks e estandes nas ruas, sem dar importância para o valor nutricional dos alimentos. RONALDO SCHEMIDT / AFP

Um terço dos mexicanos sofrem atualmente de obesidade. Para frear o avanço dessa doença e do sobrepeso na população, o Congresso acaba de aprovar uma lei que obriga os industriais a rotular os alimentos indicando se os produtos são gordurosos, açucarados ou salgados em excesso.

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Alix Hardy, correspondente da RFI no México

 

O combate à obesidade e ao sobrepeso uniu deputados de todas as correntes políticas do país. Com a nova legislação, os parlamentares esperam sensibilizar os mexicanos, habituados a comer nas ruas, a prestar mais atenção no que consomem.

Na hora do almoço, é comum as pessoas saírem dos escritórios para comprar produtos de péssima qualidade nutricional vendidos em bares, estandes de rua e food trucks. Muita gente "almoça" salgadinhos, biscoitos, chocolates e refrigerantes. As frituras e pratos à base de farinha de milho são extremamente calóricos. Em casa, as famílias mexicanas têm o costume de adoçar os sucos naturais de frutas, criando uma dependência insidiosa do açúcar refinado. O país é o campeão mundial de consumo de refrigerantes, com 163 litros em média por ano, por habitante. Essa quantia é sete vezes superior à média mundial.

Até agora, os rótulos com as informações nutricionais dos alimentos eram escritos em linguagem técnica pouco compreensível para a maioria das pessoas. Uma pesquisa revelou que três quartos dos mexicanos não sabem quantas calorias um adulto necessita consumir por dia para se manter em boa saúde. Quase a metade dos mexicanos não compreende o que está escrito nas embalagens. Muita gente declara que escolhe o que vai comer em função do preço e não da qualidade do produto.

Especialistas alertam, no entanto, que entre pessoas de baixo poder aquisitivo, sem dinheiro para pagar uma refeição equilibrada, não será uma etiqueta com uma advertência sobre um excesso de açúcar, sal ou gordura que irá resolver o problema da educação para uma alimentação equilibrada.

Profissionais da saúde observam que obrigar os industriais a criar rótulos mais transparentes e de fácil compreensão não substitui uma política de saúde pública, com campanhas de informação para a população. Desde 2014, o México criou um imposto cobrado nos refrigerantes e nas comidas de má qualidade vendidas nas ruas, mas a medida não fez recuar o consumo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a imposição é muito baixa para causar o efeito desejado.

Comércio internacional mudou hábitos

Há 30 anos, o México desconhecia o problema da obesidade. Outro fator que parece incoerente com a alta taxa de sobrepeso é o fato de o país ser um grande produtor de frutas e legumes.

Foi a partir dos anos de 1980, com o aumento do comércio internacional e especialmente, em 1994, com a assinatura do tratado de livre-comércio com o Canadá e os Estados Unidos, que as prateleiras dos supermercados mexicanos foram invadidas por produtos americanos processados. Hoje, está provado que os produtos transformados industrialmente contêm aditivos nocivos à saúde. Ao mesmo tempo, a produção agrícola mexicana – de tomate, abacate e morango – passou a ser exportada para os EUA. Nessa troca comercial, os mexicanos saíram perdendo no quesito da saúde.

Num país onde é mais fácil comprar um litro de refrigerante do que um litro de água, ainda resta um longo caminho a percorrer para modificar os hábitos alimentares da maioria da população. Atualmente, o diabetes é a primeira causa de mortalidade no México.

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