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Estados Unidos/Coreia do Norte

Coreia do Norte acusa EUA de "não ceder" em discussões sobre programa nuclear

O negociador da Coreia do Norte para o nuclear, Kim Myong Gil, na porta da embaixada do país em Estocolmo, na Suécia
O negociador da Coreia do Norte para o nuclear, Kim Myong Gil, na porta da embaixada do país em Estocolmo, na Suécia (Foto: Reuters)

Os dois países não chegaram a um consenso nas discussões retomadas neste sábado (5), na Suécia, sobre o programa nuclear norte-coreano. Pyongyang acusa Washington de não ceder em alguns pontos "e não trazer nada de novo", como a flexibilização das sanções.

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A reunião deste sábado (5) foi a primeira tentativa de retomar o diálogo entre os dois países depois do fracasso da cúpula de Hanói, em fevereiro, entre o presidente americano, Donald Trump, e o dirigente norte-coreano, Kim Jong-Un. Em Estocolmo, o enviado da Coreia do Norte, Kim Myong Gil, e o dos Estados Unidos, Stephen Biegun, participaram de um encontro promovido pelo enviado especial sueco, Kent Harstedt.

O governo americano afirma que as discussões, que duraram oito horas e meia, foram produtivas, e convidou os norte-coreanos para um novo encontro dentro de duas semanas. As duas delegações se reuniram em uma propriedade localizada em uma ilha na capital sueca, a poucas centenas de metros da embaixada norte-coreana. Mas, 24 horas após ter anunciado a retomada do diálogo, a Coreia do Norte lançou um novo míssil balístico mar-terra, depois de ter multiplicado os testes de mísseis de curto alcance nos últimos meses.

Para EUA, discussões foram positivas

"As negociações não atenderam às nossas expectativas e fracassaram, não resultaram em progresso algum. Isso se deve unicamente aos Estados Unidos, que não abriram mão de sua atitude habitual", declarou Kim Myong Gil, diante da embaixada norte-coreana em Estocolmo. "Os Estados Unidos alimentaram as expectativas fazendo propostas de enfoque flexível, com métodos novos e soluções criativas. Mas nos decepcionaram muito e esfriaram nosso entusiasmo para dialogar ao não trazerem nada para a mesa de negociações", acrescentou o enviado.

Washington optou por minimizar o fracasso, e a porta-voz do Departamento de Estado americano, Morgan Ortagus, disse que as discussões foram "boas". "Os comentários feitos mais cedo pela delegação da Coreia do Norte não refletem o conteúdo nem o espírito da discussão de hoje, que durou oito horas e meia. Os Estados Unidos levaram ideias inovadoras e tiveram boas discussões com seus homólogos norte-coreanos", afirmou em um comunicado.

Além disso, ele afirmou que os Estados Unidos aceitaram o convite da Suécia para voltar a Estocolmo dentro de duas semanas para continuar as discussões. As duas delegações se reuniram em uma propriedade localizada em uma ilha na capital sueca, a poucas centenas de metros da embaixada norte-coreana.

Novos testes de mísseis

Cerca de 24 horas após ter anunciado a retomada do diálogo, a Coreia do Norte lançou um novo míssil balístico mar-terra, depois de ter multiplicado os testes de mísseis de curto alcance nos últimos meses. Na quinta-feira, a agência oficial norte-coreana explicou que esse "novo tipo de míssil balístico", apresentado como um Pukguksong-3, foi lançado de um submarino "das águas perto da baía de Wonsan" e anunciou uma "nova fase de contenção da ameaça de forças externas".

O Pentágono considerou que este "míssil balístico de curto a médio alcance" havia sido lançado a partir de uma plataforma marinha. Em visita a Atenas, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, disse que sua delegação foi a Estocolmo "com várias ideias para implementar os compromissos" assumidos por Trump e Kim Jong Un em Singapura, em 2018.

Outras reuniões deste nível sobre desarmamento nuclear norte-coreano já foram realizadas em Estocolmo, em março de 2018 e janeiro de 2019. Trump, que busca obter uma vitória no nível diplomático, decidiu responder positivamente aos norte-coreanos. "Eles querem negociar e queremos negociar com eles em breve", disse o presidente dos Estados Unidos. Washington reafirmou na quinta-feira que esses testes "foram inutilmente provocativos".

Reunião na ONU

França, Reino Unido e Alemanha pediram uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU, que deve ser realizada no início desta semana, para manter a pressão em Pyongyang depois do que eles consideram uma "violação grave" resoluções da ONU. A Coreia do Norte está sujeita a três tipos de sanções econômicas adotadas pela ONU em 2017, para forçá-la a interromper seus programas de armas nucleares e balísticos. Essas medidas dizem respeito principalmente às limitações e proibições de importação de petróleo relacionadas às exportações norte-coreanas de carvão, pesca ou têxtil.

(Com informações da AFP)

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