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Equador/Rebelião

Equador: principal organização indígena rompe diálogo com governo

Índio equatoriano durante assembleia indígena em Quito, em 10 de outubro de 2019.
Índio equatoriano durante assembleia indígena em Quito, em 10 de outubro de 2019. REUTERS/Ivan Alvarado

No Equador, as principais organizações indígenas romperam todas as pontes com o governo. Nesse segundo dia de greve geral, a agenda das comunidades indígenas não é mais apenas o fim das medidas econômicas recentes, mas a queda do presidente Lenín Moreno. A situação se tornou muito tensa na noite de quarta-feira (9), após a dura intervenção da polícia contra os nativos. Quatro mil índios furiosos mantêm presos oito policiais na Casa de Cultura de Quito nesta quinta-feira (10), a quem desejam submeter à justiça indígena.

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Éric Samson, correspondente da RFI em Quito

Oficialmente, pelo menos cinco pessoas morreram desde o início das manifestações no Equador. A polícia jogou gás lacrimogêneo nas instalações da universidade onde os índios estavam descansando na quarta-feira à noite, o que agravou consideravelmente o conflito, explica Jaime Vargas, presidente da Confederação das Nacionalidades Indígenas do país (CONAIE). "Nós somos o povo, não assassinos. Ver meus companheiros morrerem é escandaloso. Pedi uma radicalização da nossa luta em nível nacional", afirmou Vargas.

Jaime Vargas não hesitou em convocar os militares à desobediência civil, em nome da causa indígena: "Junte-se ao povo, em nome de Deus. Recuse as ordens deste presidente traidor, mentiroso e ladrão. Senhor comandante das Forças Armadas, retire seu apoio a este homem deficiente de merda", conclamou.

Para dar mais peso a seu chamado, o líder da CONAIE ameaçou a fonte da principal renda do país, depois dos impostos: "Camaradas, acabei de ordenar o bloqueio de toda a produção de petróleo do país na região amazônica”, disse Jaime Vargas, que anunciou a chegada na capital equatoriana de 2.000 indígenas conhecidos como os guerreiros da Amazônia.

Transferência da capital

Diante da pior crise de seu mandato, Lenín Moreno transferiu na segunda-feira a sede do governo de Quito para Guayaquil (sudoeste).

Ele voltou brevemente na quarta-feira à capital. Na ocasião, dezenas de milhares de nativos atravessaram a cidade, numa manifestação relativamente calma, com poucos confrontos entre jovens e policiais.

"Eu vim a Quito para anunciar que já temos os primeiros resultados em relação a um diálogo", disse Moreno, antes de partir para Guayaquil. Realmente, contatos foram feitos entre o governo e os manifestantes, mediados pelas Nações Unidas e pela Igreja Católica.

Apesar da perspectiva otimista do presidente, o líder indígena Salvador Quishpe disse que "a mobilização não terminou". O pré-requisito exigido pelos nativos - que representam 25% dos 17,3 milhões de equatorianos - é claro: um recuona decisão de acabar com os subsídios aos combustíveis, que elevou os preços da bomba em mais de 100%. E a partir desta quinta-feira, os manifestantes também pedem o fim do governo de Moreno.

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