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Em entrevista à RFI, vice-chanceler da Bolívia garante que Evo Morales quer transparência na contagem de votos

Manifestantes denunciam fraude na contagem de votos das eleições do último domingo (20) na Bolívia.
Manifestantes denunciam fraude na contagem de votos das eleições do último domingo (20) na Bolívia. REUTERS/David Mercado

Após a reviravolta nos resultados não definitivos das eleições presidenciais bolivianas, o presidente Evo Morales é pressionado pela comunidade internacional. A Organização dos Estados Americanos (OEA) deve enviar em breve uma missão técnica ao país para uma auditoria dos votos. Entrevistada pela RFI, a vice-chanceler boliviana, Carmen Almendra, afirmou nesta quarta-feira (23) que o governo quer autenticidade e transparência no processo.

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Segundo Almendra, em reunião com representantes de órgãos internacionais e diplomáticos, além de autoridades eleitorais da Bolívia, Evo Morales afirmou que está de acordo que a OEA tenha acesso à totalidade dos boletins de voto, para que possam avaliá-los um a um.

"Nossa dinâmica sempre mostrou que há liberdade de expressão, opinião e de manifestação da sociedade civil. O que queremos é a conclusão do processo eleitoral com todas as garantias de segurança em um ambiente pacífico, como foi a votação", declarou.

Ao ser questionada sobre a interrupção da contagem de votos no domingo (20) - quando a apuração apontava para um segundo turno - Almendra atribuiu a responsabilidade ao Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia que, na segunda-feira (21) voltou a divulgar novos resultados que revoltaram parte da população, segundo os quais Morales seria vencedor já no primeiro turno.

"Cabe ao órgão eleitoral plurinacional dar uma explicação técnica do ocorrido e também explicar como está realizando a contagem oficial que segue normas e, claro, como um Estado de direito, deve ser concluída para poderem divulgar os resultados finais", reiterou a vice-chanceler.

"Golpe de Estado"

Da parte de Morales, a reação é menos diplomática. O presidente boliviano denunciou nesta quarta-feira que "um golpe de Estado" está sendo promovido pela direita do país, liderado por seu rival, o candidato conservador Carlos Mesa. O chefe de Estado apareceu diante da mídia pela primeira vez desde as eleições de domingo e fez as declarações no momento em que se inicia uma greve nacional que exige um segundo turno.

Morales prometeu executar medidas para defender a democracia logo que os resultados das eleições confirmarem sua vitória e declarou ter certeza de que não haverá segundo turno. "Estou quase certo de que, com os votos nas áreas rurais, venceremos no primeiro turno", disse o presidente que busca seu quarto mandato consecutivo.

O líder boliviano registrava nesta quarta-feira 46,4% dos votos, contra 37,07% de Mesa, após a apuração de 95% dos votos válidos. A Constituição do país estipula que um candidato a presidente vence a eleição no primeiro turno se conquistar 50% mais um dos votos ou se superar a barreira de 40% com 10 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado.

Na terça-feira (22), centenas de manifestantes enfrentaram a polícia no centro de La Paz, aos gritos de "fraude". Eles acreditam que a interrupção da contagem de votos no domingo serviu para manipular os resultados em favor de Morales.

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