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Bachelet envia missão de investigação da ONU ao Chile, em meio a protestos

Até agora, 18 pessoas morreram nos protestos no Chile, entre elas cinco policiais.
Até agora, 18 pessoas morreram nos protestos no Chile, entre elas cinco policiais. REUTERS/Jose Luis Saavedra

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos enviou nesta quinta-feira (24) uma missão de investigação ao Chile para verificar queixas sobre violações dos direitos humanos no país, que enfrenta uma grave crise social há uma semana. Michelle Bachelet foi presidente do Chile duas vezes e explicou, no Twitter, que "parlamentares e o governo [chilenos] expressaram seu desejo de receber uma missão de direitos humanos da ONU".

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Até agora, chega a 18 o número de mortos pelas manifestações, entre eles cinco agentes do Estado, em meio a crescentes denúncias de abuso policial e militar. Um relatório mais recente do Instituto Nacional de Direitos Humanos (NHRI) também relata que 535 pessoas ficaram feridas – 239 delas por armas de fogo – e 2.410 foram detidas.

Com os militares vigiando as estações das três linhas do metrô que funcionam parcialmente, muitos dos sete milhões de habitantes de Santiago tentaram retornar à normalidade sete dias após o início da crise.

 No dia anterior, quatro hotéis foram saqueados e moradores usando coletes amarelos realizaram rondas de vigilância em comunidades periféricas, para evitar roubos e saques.

Paralisação geral

Nesta quinta-feira, o país enfrenta um novo dia de protestos. Os manifestantes não parecem dispostos a ceder e pedem uma mudança profunda no sistema econômico em vigor no Chile desde a época da ditadura de Augusto Pinochet.

A Central Unitária de Trabalhadores (CUT) e cerca de 20 organizações sociais convocaram um segundo dia de paralisação nesta quinta-feira, mas, pela manhã, muitos habitantes foram trabalhar no centro de Santiago e o comércio abriu suas portas.

Manifestante recebe atendimento médico após ser ferido em protesto em Conception. (24/10/2019)
Manifestante recebe atendimento médico após ser ferido em protesto em Conception. (24/10/2019) REUTERS/Juan Gonzalez

"O que o presidente Piñera fez até agora é polarizar e estressar o país. Hoje temos jovens nas ruas com um rifle nas mãos contra seus compatriotas", criticou Barbara Figueroa, presidente da CUT, o sindicato mais poderoso do Chile.

Cinco dias consecutivos de toque de recolher

Durante a noite, no quinto dia consecutivo de toque de recolher, os tumultos se acalmaram no centro de capital, embora na periferia a situação permanecesse tensa, com saques e incêndios que não param. Milhares de pessoas e militares estavam nas ruas.

Nesta quinta, o presidente Sebastián Piñera anunciou um plano para acabar com o estado de emergência em várias regiões do país desde que uma crise social teve início, na semana passada. "Estamos trabalhando em um plano para normalizar a vida do nosso país (...) para poder terminar com o toque de recolher e, com sorte, também poderemos suspender o estado de emergência", disse o presidente, em uma mensagem à imprensa.

O plano começou a ser aplicado a partir de quarta-feira em Santiago, onde o toque de recolher foi reduzido para seis horas, das 16h às 22h. O estado de emergência foi decretado no sábado (19), após um violento dia de protestos na sexta-feira (18) pelo aumento de quase 4 centavos no bilhete do metrô. Depois, a pauta dos manifestantes incluiu outras demandas sociais, com saques em supermercados e empresas, além de queima de várias estações de metrô.

Crise que não cede

As manifestações se tornaram um movimento muito maior, heterogêneo e sem liderança identificável, o que coloca outras demandas sobre a mesa, principalmente um aumento nas pensões muito baixas no sistema privado, uma herança da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

"Esta já é a reivindicação de um país inteiro. Estamos cansados", gritou um manifestante de um panelaço nas ruas de Santiago.

Na terça-feira, Piñera apresentou uma série de medidas, como melhoria nas pensões dos mais pobres, a suspensão de um aumento de 9,2% nas contas de luz, um aumento no salário mínimo, mais impostos para aqueles com renda mais alta e uma diminuição nos gastos parlamentares e altos salários públicos. O presidente pediu "perdão" e reconheceu sua "falta de visão" para antecipar a crise, dois dias depois de afirmar que o país estava "em guerra".

Entretanto, as declarações não acalmaram os manifestantes. "Esperávamos que esse momento de conflito social aumentasse a sensibilidade, mas são as mesmas propostas de meses atrás", lamentou Izkia Siches, presidente da Faculdade de Medicina, também presente nas mobilizações.

Com informações da AFP

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