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O governista Daniel Martínez e o opositor Luis Lacalle Pou rumam ao 2° turno no Uruguai

Os candidatos à presidência do Uruguai, Daniel Martinez, da Frente Ampla, e Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional.
Os candidatos à presidência do Uruguai, Daniel Martinez, da Frente Ampla, e Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional. REUTERS/Andres Cuenca

O candidato governista e ex-prefeito de Montevidéu, Daniel Martínez, e o ex-senador de centro-direita, Luis Lacalle Pou, seguem pela disputa à presidência do Uruguai. É o que apontam os resultados parciais da apuração dos votos e as pesquisas de boca de urna realizadas no último domingo, dia 27, durante o primeiro turno das eleições.

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A projeção da consultoria Cifra concede a Martínez 37% da intenção de votos e a Lacalle Pou, 29%. Já a pesquisa realizada pela Factum atribui 39,9% das intenções à Frente Ampla, de Martínez, e 29,1% ao segundo colocado, o Partido Nacional.

Com o resultado, Lacalle Pou já anunciou "futuros acordos" e "entendimentos" com outros partidos da oposição para um "governo multicolorido liderado pelo Partido Nacional". Prevendo o segundo turno, em 24 de novembro, ele recebeu o apoio crucial do liberal Ernesto Talvi, do Partido Colorado, em terceiro lugar nas eleições, com cerca de 13% dos votos; do ex-comandante de direita Guido Manini Ríos, do Cabildo Abierto, que detém de 10% a 11% dos votos; além do novo Partido Popular (centro-direita, 1%) e do Partido Social-Democrata Independente (1%).

"O Uruguai precisa de uma mudança e, para que isso aconteça, chamamos nossos eleitores para apoiar a candidatura de Lacalle Pou, para liderar a coalizão com que vamos transformar o país. Faremos campanha pela sua candidatura", disse Talvi a seus militantes.

"O Cabildo Abierto anuncia que apoiará Luis Lacalle Pou no próximo turno", disse Manini Ríos, militar aposentado. Graças a esse apoio, Lacalle Pou poderá construir uma nova base eleitoral para novembro diante de uma Frente Ampla que disse estar disposta a lutar para conservar o poder.

A Frente Ampla, que governa desde 2005, é "a força (política) mais importante do Uruguai", afirmou Martínez, que anunciou que iniciará um caminho de "diálogo", com o objetivo de vencer o segundo turno.

Martínez disse ainda que a Frente Ampla "aposta em certezas" e oferece "estabilidade" e "nenhum ajuste com um destino de incerteza", por isso pediu a seus militantes que "redobrassem seu trabalho".

Os primeiros resultados supõem um duro golpe para a Frente Ampla, que perde sua maioria parlamentar com que governou por três períodos consecutivos a partir de 2005, e terá que lutar sozinho pela Presidência.

As duas faces da eleição

Enquanto Martínez, engenheiro de 62 anos, propõe a continuidade das políticas da Frente Ampla, Lacalle Pou, advogado de 46 anos, propõe mudanças nos gastos públicos e na política externa.

Durante a campanha, o candidato da oposição criticou duramente o persistente déficit fiscal no Uruguai, que nos governos da Frente Ampla representava 4,8% do PIB, e propôs uma série de medidas para melhorar a economia do Estado, mas sem aumentar impostos, ao contrário da situação do atual governo.

Enquanto isso, o candidato do governo não descarta nenhuma ferramenta para remediar os problemas de caixa do Uruguai, que gerencia suas finanças com dívidas.

Se, de um lado, Lacalle Pou descreveu a política uruguaia de proximidade com a Venezuela como "vergonha nacional", de outro, Martinez declarou durante a campanha que continuaria "totalmente" com a posição atual do governo da Frente Ampla, que evita condenar o regime de Nicolás Maduro em fóruns internacionais, e que ele teria uma relação muito próxima com o chavismo.

Em seu discurso, no último domingo, Lacalle Pou tornou a confirmar as escolhas internacionais da Frente Ampla e prometeu "um governo que não perca tempo se envolvendo com ditadores e violadores dos direitos humanos".

Rejeição a militares nas ruas

Além de votar para a presidência e para o Parlamento, os uruguaios rejeitaram uma reforma constitucional que previa a criação de uma guarda nacional que colocaria 2 mil soldados nas ruas em tarefas de segurança.

Antes considerado um oásis em uma região turbulenta, o Uruguai viu suas estatísticas de segurança se deteriorarem nos últimos anos. O país registrou um recorde de homicídios em 2018 (414), um aumento de 45% em relação a 2017.

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