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Diálogo entre governo e oposição do Chile fracassa; EUA veem interferência russa

Em clima de Halloween, manifestantes foram às ruas mascarados nesta quinta-feira (31), em Santiago.
Em clima de Halloween, manifestantes foram às ruas mascarados nesta quinta-feira (31), em Santiago. REUTERS/Jose Luis Saavedra

A tentativa de negociação do governo chileno com oposição para buscar uma saída consensual para a crise social terminou em impasse nesta quinta-feira (31). O presidente Sebastián Piñera convidou representantes de todos os partidos políticos no Parlamento para uma reunião. Mas o encontro não convenceu os líderes da esquerda, que afirmam não haver sinais claros a favor do diálogo para ouvir as demandas dos cidadãos que estão nas ruas.

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As negociações com a oposição, comandadas pelo novo ministro do interior Gonzalo Blumel, vão continuar. A maior crise registrada no Chile desde o retorno à democracia levou Sebastián Piñera a cancelar, na quarta-feira (30) a reunião de líderes do fórum econômico da Apec e a cúpula climática da ONU, COP25, que seriam realizadas em novembro e dezembro na capital, Santiago. A decisão teve um grande impacto no turismo e comércio, áreas afetadas por duas semanas de manifestações, várias delas muito violentas, que já deixaram 20 mortos.

Ao contrário do primeiro encontro organizado três dias após o início dos protestos, no dia 18 de outubro, o governo de Piñera não excluiu nenhum partido representado no Parlamento. O Partido Comunista, no entanto, preferiu boicotar a reunião no palácio presidencial.

Governo surdo

Após duas horas de deliberações, Álvaro Elizalde, presidente do Partido Socialista, o principal grupo da oposição, garantiu que "não existe disposição [do governo] para ouvir as demandas dos cidadãos". Já o líder do Partido Pela Democracia (PPD), Heraldo Muñoz, disse que não há "sinais claros ainda a favor do diálogo".

Com um perfil mais aberto ao diálogo do que seu antecessor, o novo ministro do Interior, Gonzalo Blumel, assumiu a missão de liderar o diálogo político destinado a encontrar uma saída para a crise social, que gerou uma queda na popularidade de Piñera.

Blumel, empossado na segunda-feira (28) após uma reforma ministerial comandada por Piñera, disse à imprensa que governo e oposição combinaram de chegar a "um entendimento, idealmente nos próximos dias, nas próximas semanas". O ministro também anunciou que o governo se mostrou disposto, pela primeira vez, a revisar um projeto de reforma tributária já enviado ao Congresso para substituir uma reforma aprovada durante o último governo da socialista Michelle Bachelet (2014-18) e que, na opinião dos opositores, reduziria a cobrança de impostos dos mais ricos.

Mudanças constitucionais

Em relação à mudança da Constituição em vigor desde a ditadura de Augusto Pinochet, considerada como uma das saídas para a crise, Blumel afirmou: "O governo não descarta qualquer opção, mas nos parece importante, em primeiro lugar, realizar esse amplo processo de diálogo participativo".

As manifestações prosseguiram nesta quinta-feira, com milhares de chilenos na Praça Itália, no centro de Santiago, usando máscaras de Halloween e trajes de alienígenas, uma referência à declaração de Cecilia Morel, mulher do presidente Sebastián Piñera, que qualificou a atual situação do Chile de "invasão alienígena".

Mais cedo, centenas de manifestantes caminharam pela Alameda - principal avenida de Santiago - até o palácio presidencial de La Moneda, onde foram reprimidos pela polícia com jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo.

“Participação russa”

Após o cancelamento dos eventos internacionais que ocorreriam na capital (cúpulas da Apec e a COP25), a Casa Branca revelou que o presidente Trump ligou para Piñera para expressar seu apoio em meio à onda de protestos e denunciou que há "esforços estrangeiros para minar as instituições" no país.

Mais tarde, um funcionário do Departamento de Estado que pediu para não ser identificado alertou que há indicações de "atividades russas", que deram uma orientação negativa ao debate na opinião pública chilena durante a onda de protestos.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, denunciou na semana passada um "padrão" de interferência vindo da Venezuela e de Cuba e que, segundo ele, operou na Colômbia, no Equador e, agora, no Chile. Amagro atribuiu a Caracas e Havana a responsabilidade pelas grandes mobilizações contra os governos na região.

Piñera anunciou nesta quinta-feira que a Espanha se ofereceu para sediar a COP25 em Madri. Inicialmente, a reunião de cúpula estava prevista para ser realizada no Brasil, mas assim que tomou posse, o presidente Jair Bolsonaro se recusou a organizá-la e Piñera aceitou o desafio, em uma clara tentativa de se tornar um líder regional em questões ambientais.

Com informações da AFP

 

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