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Bolívia/ Eleições/ Crise

Bolívia: oposição dá ultimato, Morales diz que eles querem mortos

Manifestantes contra o presidente da Bolívia, Evo Morales, participam de uma marcha de luto pela morte de Mario Salvatierra e Marcelo Terrazas, dois manifestantes que foram mortos durante os protestos, no centro de La Paz, Bolívia, em 1 de novembro de 2019
Manifestantes contra o presidente da Bolívia, Evo Morales, participam de uma marcha de luto pela morte de Mario Salvatierra e Marcelo Terrazas, dois manifestantes que foram mortos durante os protestos, no centro de La Paz, Bolívia, em 1 de novembro de 2019 REUTERS/Kai Pfaffenbach

O presidente boliviano, Evo Morales, reeleito há duas semanas em uma votação polêmica, afirmou neste domingo (3) que seus rivais "buscam mortos" ao pedirem apoio aos militares na disputa política.

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Os opositores "estão buscando mortos que venham da polícia e das Forças Armadas", disse Morales, um dia depois de um influente líder opositor regional convocar os militares a intervir na crise gerada pela apuração polêmica das eleições de 20 de outubro.

"Quem pedir a intervenção militar estará pedindo sangue, morte", declarou o ministro do Interior, Carlos Romero.

Em um comício neste sábado (2) à noite, Luis Fernando Camacho, chefe de uma poderosa entidade civil na rica região de Santa Cruz, lançou um ultimato seguido de ameaça a Morales para que renuncie em 48 horas, e convocou os militares a se colocarem "do lado do povo".

"(Morales) tem 48 horas para renunciar, porque nesta segunda-feira às sete horas da noite (20h00 no horário de Brasília), vamos tomar medidas e garantiremos sua saída", disse Camacho a uma multidão em Santa Cruz, reduto da oposição.

Camacho, líder do Comitê Cívico de Santa Cruz, leu uma carta dirigida aos chefes das Forças Armadas, a quem pediu para "estarem ao lado do povo" nesta crise desencadeada pela polêmica reeleição de Morales, no poder desde 2006.

O ministro Romero afirmou que a convocação de Camacho "coincide com informações da inteligência que assinalam que uma ação violenta estaria sendo preparada para amanhã à noite na praça Murillo", onde fica a sede do governo, em La Paz. Morales fala em golpe de Estado.

"Defender a democracia"

A oposição boliviana exige a anulação da votação e a convocação de novas eleições gerais (presidenciais e legislativas).

Camacho é o primeiro político boliviano a chamar a intervenção militar nesta crise, mas suas declarações podem ser consideradas como "sedição", um crime punível pelo Código Penal Boliviano, explicou à AFP um especialista em direito que pediu para não ser identificado.

A intervenção militar é uma questão altamente sensível na Bolívia, que antes de 1982 sofreu uma série de revoltas e ditaduras militares. Até agora, as Forças Armadas ficaram de fora da polêmica pós-eleitoral.

Morales denuncia há uma semana que a oposição tenta derrubá-lo através de um "golpe de Estado", motivo pelo qual ele convocou seus apoiadores a "defender a democracia e os resultados eleitorais" de 20 de outubro.

Camacho não disse quais medidas adotará, mas presume-se que possa ocupar escritórios regionais de entidades e empresas públicas.

O comício de Santa Cruz contou com a presença de líderes de comitês e organizações cívicas de outras regiões da Bolívia.

Dois mortos e mais de cem feridos

Desde o início dos protestos, no dia seguinte à votação, foram registrados dois mortos e cerca de 140 feridos.

A oposição afirma que o presidente de esquerda foi reeleito de forma "fraudulenta". O sistema de contagem rápida ficou paralisado por 20 horas e, quando retomado, produziu uma mudança drástica e inexplicável da tendência, segundo observadores da OEA.

Os opositores afirmam que Morales está determinado a permanecer no poder a todo custo e recordam que o chefe de Estado ignorou um referendo realizado em 2016 no qual os bolivianos rejeitaram a reeleição por tempo indeterminado. Uma polêmica decisão em 2017 de um tribunal constitucional permitiu que ele se recandidatasse.

A incerteza sobre uma auditoria eleitoral da OEA aumentou após a renúncia surpresa do chefe da missão da organização, o mexicano Arturo Espinosa, depois de admitir que havia publicado artigos críticos sobre Morales.

A oposição boliviana rejeita a auditoria da OEA, incluindo o ex-presidente Carlos Mesa (2003-2005) e candidato à presidência, por considerar "uma manobra de distração para manter Morales no poder" .

O movimento de Mesa realizará uma assembléia neste domingo para definir os passos a serem seguidos em sua busca pela renúncia de Morales.

(Com informações da AFP)

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