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Linha Direta

Sob embalo de vitória de Lula, esquerda latino-americana se reúne em Buenos Aires

Áudio 05:20
Criado em julho na cidade de Puebla, México, o grupo é formado por líderes da esquerda de 12 países da América Latina.
Criado em julho na cidade de Puebla, México, o grupo é formado por líderes da esquerda de 12 países da América Latina. facebook.com/progresalatam/photos

Os líderes da esquerda latino-americana se reúnem neste fim de semana em Buenos Aires para consolidar uma nova aliança progressista que pretende conter o avanço da direita na região. É o chamado "Grupo de Puebla", que está eufórico com a iminente liberdade de Lula no Brasil e com a vitória de Alberto Fernández na Argentina.

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Entre os líderes reunidos em Buenos Aires estarão ex-presidentes como Dilma Rousseff, José Mujica, e Fernando Lugo. No total, o grupo tem 32 políticos de 12 países, entre os quais o próprio Lula, para quem o grupo já pedia a liberdade e denunciava perseguição política.

O nome "Puebla" vem da cidade mexicana na qual o grupo foi timidamente lançado, em julho passado. Entre os fundadores da aliança, está o brasileiro Aloízio Mercadante, uma referência do PT; o recém-eleito presidente da Argentina, Alberto Fernández, e o ex-candidato a presidente chileno Marco Enríquez-Ominami.

O grupo é um novo eixo progressista que pretende unir líderes da esquerda latino-americana num espaço de integração regional, para gerar alternativas às políticas neoliberais que ganharam terreno com as vitórias da direita ao longo dos últimos quatro anos. Há nove ex-presidentes, oito ex-chanceleres, cinco ex-candidatos a presidente, vários ex-parlamentares e um presidente eleito. A vitória de Fernández, há duas semanas, deu uma dimensão inusitada ao grupo. É ele quem abrirá as reuniões neste sábado (9), com um discurso que vai exaltar a iminente liberdade de Lula.

Lula será exemplo para outros casos na região

O ex-presidente Lula já seria um protagonista sem estar presente – mas, depois da decisão do STF do Brasil de vetar a prisão de condenados em segunda instância, o líder petista ganha ainda mais protagonismo. Ele servirá de bandeira de vitória e estratégia para outros líderes que estão encurralados pela Justiça, como o ex-presidente do Equador, Rafael Correa, e a ex-presidente argentina, eleita agora vice-presidente, Cristina Kirchner.

Alberto Fernández publicou nas redes sociais uma mensagem na qual exaltou "ter valido a pena a luta de tantos anos" pela liberdade de Lula e disse que "é a mesma coisa que está pedindo na Argentina". Mas, na verdade, essa é uma estratégia retórica, porque nem na Argentina, nem no Equador há condenações judiciais até o momento.

A reunião do Grupo de Puebla será uma forte caixa de ressonância da decisão sobre Lula, com a presença da cúpula petista, como a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-candidato Fernando Haddad, o ex-chanceler Celso Amorim e o ex-senador Aloízio Mercadante.

Novo Foro de São Paulo?

A comparação entre o novo Grupo de Puebla com o Foro de São Paulo é inevitável. O Foro de São Paulo foi criado em 1990 com partidos políticos e organizações de esquerda, numa aliança que promoveu alternativas na região à política neoliberal em vigor nos anos 1990 – assim como o Grupo de Puebla pretende agora.

À RFI, o fundador e articulador do Grupo de Puebla, o chileno Marco Enríquez-Ominami, admitiu que são herdeiros do Foro de São Paulo pelo ângulo de que toda construção é resultado de uma longa militância do progressismo. Mas frisou que o Grupo de Puebla não representa partidos, apenas líderes, e não há nem haverá líderes no exercício do poder.

Além das notícias que vêm do Brasil, a reunião de Buenos Aires debaterá a situação no Chile, no Equador, na Venezuela e na Bolívia. Também deve denunciar as políticas da direita do presidente chileno Sebastián Piñera e do equatoriano Lenín Moreno.

No entanto, quando o assunto é Venezuela, não há uma condenação do governo de Nicolás Maduro, apenas o pedido de respeito pela soberania do país e pela autodeterminação dos povos. Devem pregar, ainda, uma solução pacífica para a crise venezuelana, sem intervenções militares externas.

No caso da Bolívia, apesar das manifestações populares contra o presidente de esquerda Evo Morales, suspeito de ter manipulado as recentes eleições, o Grupo de Puebla reconhece a sua vitória no pleito – embora uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) esteja na Bolívia para avaliar, com caráter vinculante, se houve fraude. Sobre isso, não se espera nenhuma palavra em Buenos Aires.

 

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