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Bolívia/Crise

Senadora Añez assume presidência da Bolívia; Morales denuncia concretização do “golpe”

A senadora Jeanine Añez, política conservadora e quase desconhecida, assumiu a presidência da Bolívia nesta terça-feira, 12 de novembro de 2019.
A senadora Jeanine Añez, política conservadora e quase desconhecida, assumiu a presidência da Bolívia nesta terça-feira, 12 de novembro de 2019. Fuente: Reuters.

A senadora Jeanine Añez, uma política pouco conhecida na Bolívia, assumiu na noite desta terça-feira (12) a presidência interina do país. Com uma bíblia nas mãos, Jeanine reivindicou o cargo sem passar por uma votação do Parlamento que não tinha o quórum necessário para respaldar sua nomeação e preencher o vácuo no poder deixado com a renúncia de Evo Morales, no domingo (10). Do México, onde está exilado, o ex-presidente boliviano denunciou que "o golpe mais astuto e desastroso da história (do país) foi consumado".

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Após a assumir a presidência, Jeanine Añez discursou no balcão do Palácio Quemado, diante da Praça Murillo, a poucos metros do Congresso, e prometeu organizar eleições o mais rapidamente possível. "Queremos convocar novas eleições o mais cedo possível (...), com autoridades honestas, de mérito, de capacidade, que sejam independentes", disse a nova presidente. Na segunda-feira (11), ela havia adiantado que a votação aconteceria antes de 22 de janeiro.

Política conservadora, a advogada de 52 anos era a segunda vice-presidente do Senado. Ela assume a presidência por ter se tornado a primeira na linha de sucessão, após a renúncia de Evo Morales e de toda a cúpula política do país. Sua nomeação foi avalizada pelo Tribunal Constitucional boliviano. Posteriormente, Añez se reuniu com os comandantes das Forças Armadas e da Polícia.

Apoio dos líderes

A presidente interina boliviana recebeu o apoio dos principais líderes opositores do país. O candidato centrista Carlos Mesa felicitou a "nova Presidente Constitucional da Bolívia Jeanine Añez".

O líder regional de Santa Cruz (leste) Luis Fernando Camacho declarou que apoia Añez e que determinou a "suspensão das medidas" de protesto, como a greve e os bloqueios de rua.

onda de protestos na Bolívia já deixou sete mortos, dos quais quatro a tiros. As manifestações se iniciaram em 20 de outubro, depois da controversa vitória de Evo Morales a um quarto mandato.

Reação internacional

Morales, seus apoiadores do Movimento ao Socialismo (MAS) e vários países da América Latina – entre eles o México, o governo eleito da Argentina, Cuba, Venezuela e Uruguai – denunciaram como um "golpe de Estado" as pressões dos militares contra o presidente, acusado de fraude eleitoral. O ex-presidente boliviano, que recebeu asilo político no México nesta terça-feira (12), denunciou "à comunidade internacional este ato de autoproclamação de uma senadora como presidenta que viola a Constituição da Bolívia e as normas internas da Assembleia Legislativa".

Já o Brasil rejeitou a tese de golpe. "A repulsa popular após a tentativa de estelionato eleitoral (constatada pela OEA), o qual favoreceria Evo Morales, levou à sua deslegitimação como presidente e consequente clamor de amplos setores da sociedade boliviana por sua renúncia", afirmou a chancelaria. O governo brasileiro, por meio do ministro Ernesto Araújo, reconheceu a posse de Jeanine.

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