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Linha Direta

Cubanos celebram 500 anos de Havana com eventos culturais e festas pelas ruas

Áudio 04:07
Terraço do Gran Hotel Manzana Kempinski, em Havana.
Terraço do Gran Hotel Manzana Kempinski, em Havana. ©RFI/Isabelle Le Gonidec

A capital cubana completa 500 anos neste sábado (16). Durante todo esse ano, eventos marcaram essa data importante do calendário cubano. As comemorações se intensificaram nos últimos dias e culminam neste fim de semana, com shows do cantor italiano Andrea Bocelli e uma grande festa ao ar livre no Malécon, a avenida beira-mar da capital cubana.

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Daniella Franco, enviada especial da RFI à Cuba

Havana está fervendo essa semana e não é devido ao calor de mais 30°C, típico desta época do ano na ilha. Todos os eventos de comemoração agitaram a cidade durante 2019, mas atingem seu ápice com a aproximação do aniversário dos 500 anos, neste sábado.

A festa conta com uma programação para todos os gostos. Há conferências e palestras acadêmicas sobre o patrimônio histórico da capital, rotas gastronômicas, concertos de música clássica e eventos em torno da cultura e tradição cubanas, como a volta da Ceiba, uma cerimônia popular em volta da árvore que marca o local onde Havana surgiu como cidade.

Outros eventos são muito aguardados pela população cubana, como a apresentação do Balé de São Petersburgo e um show do cantor italiano Andrea Bocelli, nesta sexta-feira (15). Durante à noite, o ponto alto da celebração será uma festa na rua, “La Noche Habanera”, com direito a um espetáculo de fogos de artificio à meia-noite, quando a capital chega oficialmente aos 500 anos.

A celebração também conta com a presença do rei da Espanha, Felipe VI e a rainha Letizia. A vinda dos monarcas está em todos os noticiários e jornais e ganhou destaque por ser a primeira visita de representantes da realeza espanhola na história de Cuba.

Orgulho cubano

Entre a população de Havana, não há divisões sobre o sentimento em relação à capital e seu aniversário. Apesar de divergirem sobre o governo, opositores e partidários do sistema exprimem todo o seu orgulho pela cidade. Não apenas sobre Havana há unanimidade: em qualquer conversa, os cubanos exaltam a riqueza de sua cultura, a natureza local, e as qualidades deste povo que é realmente único por seu acolhimento e fraternidade.

Para as celebrações dos 500 anos vieram turistas do mundo inteiro, nesse que é um período de alta temporada em Cuba. A atividade, aliás, se intensificou nas últimas décadas, com esse processo de abertura que o país viveu desde a chegada de Raúl Castro ao poder e com o alívio aos bloqueios dos Estados Unidos a Cuba durante o governo do presidente americano Barack Obama – um cenário que começa a se inverter com a administração de Donald Trump.

Além do turismo estrangeiro, muitos cubanos vêm de outras cidades e regiões do pais acompanhar esse momento histórico dos 500 anos da capital. Os turistas brasileiros também não são raros. Diante da Praça de Revolução, centro de Havana, um grupo do Rio de Janeiro fazia foto diante das imagens de Che Guevara e Fidel Castro na quinta-feira (14). Entrevistados pela RFI, afirmaram não terem vindo especialmente para o aniversário de Havana, mas descobriram a programação chegando aqui e estão participando dos eventos deste momento histórico da capital cubana.

Depois da festa, os desafios

Como em toda a capital latino-americana, há muitos desafios a serem vencidos em Havana. Por aqui, ninguém esconde os obstáculos enfrentados no dia a dia. Até mesmo as autoridades cubanas reconhecem que há muitos problemas de infraestrutura, de transporte, um atraso no acesso às tecnologias. Mesmo que haja internet 4G nos lares dos cubanos e em diversos pontos da capital, de fato a internet é ainda muito cara para boa parte da população.

Além disso, se locomover em Havana é um verdadeiro problema para o cidadão comum: o transporte público ainda é muito falho. Tudo isso em paralelo com o desafio que é a restauração e a manutenção desse patrimônio que data de 500 anos. Boa parte do centro antigo, a Velha Havana, já foi reformada, mas especialistas da Oficina do Historiador - órgão do governo que trata dessa questão da renovação dos edifícios - e do Centro de Estudos Urbanos da Universidade de La Havana, declarada patrimônio mundial da Unesco em 1982, dizem que a grande meta para os próximos anos é levar todos esses esforços e trabalhos para além do centro histórico, de forma a beneficiar todos os cidadãos da capital cubana em um horizonte próximo.

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