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China/Brasil

Pilotos brasileiros invadem a China

Frota da Schenzhen Airlines, que tem mais pilotos brasileiros do que chineses.
Frota da Schenzhen Airlines, que tem mais pilotos brasileiros do que chineses. DR

A China não seduz somente empresas e indústrias brasileiras. Nos últimos anos, o país tem sido um dos principais destinos de pilotos brasileiros, atraídos por salários e melhores condições de trabalho.

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Por Ana Carolina Dani, enviada especial da RFI a Pequim

Com um mercado em plena expansão, os chineses não conseguem formar o número de pilotos necessários para atender às companhias aéreas. A solução é, então, recrutar fora do país. Segundo a China Pilots, empresa especializada no recrutamento de pilotos para companhias chinesas, existem atualmente cerca de 300 pilotos estrangeiros trabalhando na China, sendo 100 brasileiros.

Voar ganhando mais, em melhores condições

Natural de Santos, em São Paulo, Sérgio Mello, de 53 anos, é um deles. Ele deixou o Brasil há 10 anos, depois de trabalhar 18 anos como piloto na Vasp. "Eu tinha 24 anos quando comecei a trabalhar na Vasp e pensei que ia me aposentar na empresa. Aí, a Vasp quebrou e desapareceu do mercado. Decidi, então, procurar emprego fora do país, pois o mercado de aviação no Brasil é muito limitado", afirma. Segundo Mello, os salários e as condições de trabalho são melhores na China. “Os salários no Brasil são, em geral, muito baixos. Um piloto estrangeiro aqui pode ganhar 50% a mais do que no Brasil”, explica. 

Há cinco anos, Sérgio Mello trabalha na Jade Cargo, uma joint venture formada pela Schenzhen Airlines, companhia chinesa, e a alemã Lufthansa. A companhia, especializada no transporte de carga, emprega 130 pilotos, sendo 20 brasileiros e somente três chineses.

"Se a China tivesse mão-de-obra suficiente, não contrataria estrangeiros. Eles são muito bairristas. Quando cheguei aqui, em 2005, o objetivo do setor era dobrar o tráfego aéreo em oito anos. Eles não tem como formar tanto piloto ", afirma Mello. O brasileiro explica, entretanto, que os pilotos estrangeiros que trabalham na China não têm o mesmo salário dos pilotos chineses, que ganham bem menos. "Na minha empresa, os salários são equivalentes, mas na maioria das companhias aéreas os estrangeiros ganham mais do que os chineses ", diz.

William Garrido, de 43 anos, também é um ex-piloto da Vasp que optou por voar na Ásia. O comandante brasileiro, que também tem as nacionalidades sul-africana e espanhola, está há um ano na Shenzhen Airlines, companhia chinesa low cost criada em 1992. Segundo ele, mesmo depois da criação de novas companhias aéreas no Brasil, ainda é mais vantajoso trabalhar na China. "No Brasil, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Aqui, temos uma escala mais flexível com salários melhores", diz. Garrido pilota modelos Airbus A320, de médio alcance, em rotas nacionais e regionais.

A Shenzhen Airlines tem hoje uma frota de 85 aeronaves e cerca de 40 pilotos brasileiros.

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