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OIT / Domésticas

Domésticas brasileiras celebram convenção da OIT, mas dizem que ainda há muito a fazer

O mundo conta com mais de 52 milhões de trabalhadores domésticos.
O mundo conta com mais de 52 milhões de trabalhadores domésticos. David Turnley/Getty

Pela primeira vez, uma convenção internacional destinada à proteção dos trabalhadores domésticos foi aprovada. Um momento histórico para os mais de 52 milhões de trabalhadores domésticos que existem no mundo.

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Vitória Álvares, em colaboração para a RFI

Foi aprovada, com 396 votos a favor e apenas 16 contra, a primeira convenção internacional destinada à proteção dos trabalhadores domésticos. A presidente da Federação Brasileira/Nacional de Trabalhadores Domésticos (Fenatrad), Creuza Maria Oliveira, esteve presente no evento em Genebra e contou à RFI como foi este momento histórico.

Segundo ela, desde 1995 o assunto vem sendo debatido na Organização Internacional do Trabalho (OIT), mas apenas hoje, na véspera do encerramento da 100ª Conferência Internacional do Trabalho, na Suiça, o projeto foi aprovado. “Uma vitória para a classe dos trabalhadores domésticos, mas também para a OIT, que luta pelos direitos trabalhistas no mundo, mas nunca havia conseguido passar um texto assim”, afirma Creuza. A unanimidade era ainda mais difícil pois a Organização Internacional do Trabalho é um organismo tripartite, composto de representantes dos trabalhadores, das empresas e dos governos: “sempre havia alguém da parte dos empregadores ou de um governo que se opunha”, lembra a sindicalista.

Creuza ressaltou ainda a importância da posição dos representantes do governo brasileiro no encontro: “Eles sempre foram a favor do texto original e nos apoiaram muito com discursos sobre os direitos trabalhistas e os direitos humanos”. Na sua opinião, a posição do Brasil teve uma certa influência : “Alguns países esperavam a posição do Brasil para se posicionar e fechar um bloco”.

“Esta foi uma vitória importante, mas não ganhamos tudo”, estima a sindicalista. Ela afirma que a sua classe ainda tem muitos desafios: “Agora temos que nos preparar para mudar a legislação no Brasil e conseguir a criação de creches e escolas integrais para nossos filhos, por exemplo. Porque muitas vezes eles têm que ficar sozinhos, mais expostos à marginalidade, quando vamos cuidar das casas e dos filhos dos outros”.
 

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