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Casino/Pão de Açúcar

Casino manterá direção do Pão de Açúcar, diz presidente do grupo

Jean-Charles Naouri, em foto do Le Monde de terça-feira, 26 de junho de 2012
Jean-Charles Naouri, em foto do Le Monde de terça-feira, 26 de junho de 2012 RFI

"Respeitamos e temos total confiança na atual administração do Grupo Pão de Açúcar (GPA), dirigido por Enéas Pestana", declara Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, acionista majoritário da antiga empresa de Abílio Diniz à edição desta terça-feira do Le Monde. "Desejamos que ele permaneça (no cargo)", completou o executivo. Com relação ao próprio Diniz, Naouri não mostra o mesmo entusiasmo: ele se disse decepcionado com "o que aconteceu em 2011".

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Pelo "que aconteceu em 2011", leia-se: Abílio Diniz tentou uma fusão com o Carrefour, concorrente direto da holding na França, para evitar justamente a tomada do controle pelo Casino. A operação acabou nunca saindo do papel, depois de uma série de desentendimentos entre Diniz e o Carrefour, uma enxurrada de críticas do Casino e mesmo suspeitas de irregularidades no apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Duas semanas depois de anunciada, a fusão foi anulada. E Abílio Diniz ficou numa saia justa com seu controlador francês.

"O contrato assinado em 2005 prevê que ele possa continuar como presidente vitalício do GPA. Nós respeitaremos isso", garante Naouri. Mas ele próprio assume que o cargo é mais simbólico do que efetivo. "Importante mesmo é a gestão operacional do GPA. A atual equipe se comportou de maneira profissional durante os episódios do ano passado. Sua tarefa era conduzir a empresa e isso foi muito bem feito. Paralelamente, o conselho administrativo - no qual temos maioria - é quem cria a estratégia que é posta em prática pela gestão posteriormente".

A princípio, isso não significa que a autonomia regional da empresa será tolhida. O diretor-presidente elenca exemplos de unidades implantadas em outros países em desenvolvimento, como a Tailândia, a Colômbia e o Vietnã, para garantir que as peculiaridades locais são respeitadas dentro da política do Casino, que ele define como um "grupo internacional de gestão bastante descentralizada". Nestes países, o "Casino intervém com apoio ou ajuda específicas, mas deixa uma autonomia real para as empresas implantadas localmente".

A estratégia parece funcionar já que, hoje, a França não representa mais do que um terço da receita do grupo. Os outros dois terços vêm daqueles países, além de Uruguai, Argentina, Madagascar e as ilhas da Reunião, Maiote e Maurício. Com a efetivação do controle do Pão de Açúcar, o Brasil passa a ser o segundo mercado da empresa, atrás apenas de seu país de origem.

Fé no Brasil

O novo homem-forte das empresas Pão de Açúcar se afasta da euforia em torno do mercado brasileiro nestes tempos de crise na Europa e nos Estados Unidos. Ele conta que a atual posição da filial brasileira dentro dos negócios do grupo é resultado de um longo trabalho.

"O Casino investiu US$ 1 bilhão no GPA em 2009 e entre US$ 800 milhões e US$ 900 milhões em 2005. À época, o grupo brasileiro estava fragilizado financeiramente". A entrada do Casino, de acordo com ele, permitiu que o Pão de Açúcar zerasse sua dívida e se direcionasse para o crescimento.

O próprio Brasil também não era o que é hoje. "Mas, desde 1999, pressentíamos que o país estava em fase de decolagem. Foi uma aposta empresarial e industrial. E nós acertamos. O Brasil ainda tem um potencial imenso".

Para ele, a grande oportunidade para o varejo no país apareceu durante os dois governos Lula, quando as políticas de erradicação da pobreza tiraram milhões de brasileiros da miséria e os inseriram no mercado de consumo. Naouri tem certeza de que este espírito tende a continuar sob Dilma Rousseff. "Hoje, o Brasil é exemplo mais emblemático da pertinência da estratégia do Casino nos mercados em desenvolvimento".
 

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