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Brasil/Índios

Situação dos guarani-kaiowá simboliza o abandono de indígenas no Brasil, diz Le Monde

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O Le Monde que chegou às bancas na tarde desta quinta-feira traz um artigo de página inteira denunciando a situação dos Guaranis-Kaiowá do Mato Grosso do Sul. A reportagem que descreve o conflito pela terra entre índios e fazendeiros foi feita por um enviado especial do jornal francês a cidade de Dourados.

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O artigo lembra que os guarani-kaiowá, que já ocuparam 8 milhões de hectares no Mato Grosso do Sul, estão hoje confinados em menos de 1% do território do estado por causa da ampliação das fronteiras agrícolas, iniciada em 1920. O estado é uma das regiões agrícolas mais prósperas do Brasil, mas os índios vivem marginalizados ao lado das grandes fazendas. Eles vivem em reservas superlotadas ou em loteamentos miseráveis que registram uma das maiores taxas de suicídio do mundo, descreve o Le Monde. Para o jornal, a região está em pé de guerra.

Os guarani-kaiowá reivindicam o direito de recuperar as terras de seus ancestrais e o confronto com os fazendeiros simboliza o abandono dos povos indígenas no Brasil, denuncia a reportagem. A cada dia, eles são alvo de perseguições, racismo e represálias. Mais de 500 índios foram mortos no Brasil desde 2003 e, não por acaso, o Mato Grosso do Sul é o mais violento do país, aponta o jornal citando fontes brasileiras.

O enviado especial entrevistou representantes de ONGs, da Justiça e do governo brasileiro. A vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, disse ao Le Monde que “a situação dos guarani-kaiowá é a pior tragédia de um povo indígena no mundo”. O jornalista fala das recentes ocupações de fazendas pelos índios e termina a reportagem com o testemunho de Genito Gomes, filho do cacique Nisio Gomes, assassinado por capangas em 2011: “Eles podem nos eliminar, mas não partiremos. Eles matam um corpo, mas não a terra de nossos ancestrais.”

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