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França/Brasil

Burocracia e impostos são obstáculos para franceses no Brasil

Empresários franceses e brasileiro se reuniram no sindicato patronal em Paris.
Empresários franceses e brasileiro se reuniram no sindicato patronal em Paris. RFI

Paris sediou nesta terça-feira (20) a 2ª edição do Fórum Econômico França-Brasil, evento que reuniu, na sede do Medef, o sindicato patronal francês, os principais empresários dos dois países. Os participantes apresentaram um balanço de suas relações comerciais e falaram das dificuldades para o investimento mútuo, apesar do potencial de ambos os mercados.

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Lançado em dezembro passado durante a visita do presidente francês François Hollande ao Brasil, a 2ª edição do Fórum contou com a presença dos executivos das principais empresas dos dois países, como Camargo Corrêa, Embraer, Gerdau e Vale, do lado brasileiro, e Airbus, Areva e os grupos Casino e LVMH, do lado francês. O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Mauro Borges, e a ministra francesa responsável pelo Comércio Exterior, Fleur Pellerin, também compareceram.

Nos painéis, que tratavam temas ligados ao desenvolvimento urbano, energia, comércio e investimento, todos os participantes ressaltaram o potencial do Brasil e o sucesso das iniciativas francesas já existentes no país. No entanto, muitos frisaram também as dificuldades de instalação dos novos investidores. Pois mesmo se as trocas comerciais entre os dois países dobraram na última década, atingindo € 9 bilhões em 2012 (R$ 27 bilhões), com um saldo excedente de € 405 milhões (R$ 1,2 bilhões) para a França, elas ainda representam, segundo Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria Brasileira (CNI), apenas 10% das relações comerciais do Brasil no exterior.

Jean-Pierre Clamadieu, presidente da Solvay e do Conselho de empresários França-Brasil do Medef, defendeu o potencial brasileiro, mas concordou com as críticas de alguns colegas, que apontam a burocracia e os impostos, além dos problemas de infraestrutura, como principais barreiras para entrada no mercado brasileiro. "É um país complicado para se fazer negócios. O sistema fiscal é complexo, com taxas adicionais que acrescentam custos que podem ser relativamente importantes. Além disso, há uma burocracia muito rígida. Então é um país que exige um pouco mais de tempo para ser compreendido e para se desenvolver negócios com sucesso”, constatou.

Durante a entrevista coletiva concedida à imprensa após o Fórum, o presidente da CNI se defendeu. “Não podemos dizer que somos um país protecionista. Nós importamos muito mais do que exportamos e mesmo se a taxa máxima de impostos no Brasil é de 35%, a média é de 11%”, explicou Braga de Andrade.

Oportunidades dos dois lados

Mas não são apenas os franceses que estão interessados no Brasil, como ressalta o presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. “As empresas, principalmente as médias, precisam de alianças para sair da França e ir para outros países além da Europa, mas as brasileiras também precisam de alianças, tecnologia, recursos e melhoria de gestão”.

Alguns desses atores também vêem no Fórum uma oportunidade real de negócios na França. Uma dessas empresas é a Werner Tecidos, de Petrópolis, que tenta pela primeira vez entrar no mercado europeu. “Esse evento é muito importante para nós pois é uma oportunidade para trocar ideias e experiências com empresários franceses e, quem sabe, fechar negócios” comenta seu diretor-executivo, Luiz Fernando d’Aguiar. Dirigente da maior produtora de tecidos de seda das Américas, ele visa grandes nomes do luxo, como a marca Hermès, que já compra os fios de seus famosos lenços no Brasil e que poderia, segundo ele, se interessar também pelos tecidos brasileiros.

Clique aqui para ouvir as entrevistas. 

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