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Saúde

“Primeiro resultado exitoso em 60 anos”, diz brasileiro que testou vacina contra a dengue

Áudio 04:16
Fiocruz/Divulgação

Os resultados do teste em larga escala de uma vacina contra a dengue, divulgados na segunda-feira (3), apresentaram resultados amplamente positivos. Desenvolvido pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, o tratamento deverá estar disponível já em 2015. A etapa final dos testes, que durou quatro anos, contou com a participação de centenas de médicos e pacientes brasileiros em cinco cidades: Campo Grande, Natal, Fortaleza, Vitória e Goiânia.

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No Mato Grosso do Sul, o pesquisador responsável foi o epidemiologista Rivaldo Venâncio da Cunha, que coordenou uma equipe de 40 pessoas. Eles aplicaram três doses da vacina em pacientes de 9 a 16 anos, uma dose a cada seis meses. Para cada dois pacientes que recebiam a vacina, um outro recebia um placebo. O resultado foi um índice de 61% de eficácia. “O resultado é razoável, principalmente se compararmos com o que existe hoje, ou seja, não há outra vacina. Este é o primeiro produto em escala mundial depois de aproximadamente 60 anos de tentativas em todo o mundo. É alentador”, afirma Cunha.

Além do índice de 61% de prevenção, a vacina também se mostrou eficaz entre os pacientes que desenvolveram a doença. Para estes, a chance de precisar de hospitalização caiu em 80%. “Ela previne novas infecções e, se por ventura houver uma nova infecção, previne o desenvolvimento da forma grave, ou seja, previne a morte”, diz o pesquisador.

Com 1.500.000 casos por ano, o Brasil representou 75% dos casos da América Latina em 2013. O país recebeu 5 dos 22 centros de testes contratados pela empresa francesa em todo o mundo. O tempo total deste projeto desenvolvido pela farmacêutica Sanofi foi de 20 anos. O pesquisador brasileiro que coordenou os testes no Mato Grosso do Sul acredita que o produto está pronto para ser usado em larga escala: “Houve um acompanhamento global das pessoas por 25 meses, para que pudéssemos observar detalhadamente se haveria ou não reações adversas à vacina. Não apresentou quaisquer reações adversas”.

Proteção contra 4 tipos de dengue

A vacina apresenta diferentes graus de proteção para os quatro tipos diferentes da dengue. Os menores índices de proteção ocorrem nos tipos 1 (50%) e 2 (42%), e os maiores, nos tipos 3 (74%) e 4 (77%). Todos eles existem no Brasil, mas o tipo 4 foi o mais comum na epidemia do verão de 2014.

Segundo o pesquisador brasileiro, o fato de necessitar de três doses não deve ser um problema para o país, que já utiliza imunização em três etapas para a tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche) e Hepatite B. O eventual problema a ser enfrentado pelo país, segundo Rivaldo Venâncio da Cunha, será o número insuficiente de vacinas, caso ela comece a ser produzida já no ano que vem. Será inevitável que tanto o Brasil quanto outros países façam como em 2010, nos casos da gripe H1N1, e priorizem grupos mais vulneráveis em um primeiro momento.

Em um comunicado emitido na noite de segunda-feira, a Sanofi afirma que começará a pedir os registros da vacina já no ano que vem, em diversos países, incluindo alguns dos mais afetados pelo vírus. O laboratório, que investiu € 1,3 bilhão no projeto, pretende ser o primeiro a comercializar a vacina contra o vírus, que é considerado a doença tropical mais disseminada pelo mundo depois da malária.

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