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Brasil/ imprensa

Para Le Monde, entrada de Kátia Abreu no governo reflete “mutações” do Brasil

Kátia Abreu faz parte do segundo governo da presidente Dilma Rousseff.
Kátia Abreu faz parte do segundo governo da presidente Dilma Rousseff. Elza Fiuza/Agência Brasil

O jornal francês Le Monde publica um perfil da ministra da Agricultura do Brasil, Kátia Abreu, a “guerreira contra o lobby verde”. O diário relata os primeiros passos no ministério “daquela que teve um papel essencial no enfraquecimento do Código Florestal, em favor dos grandes proprietários de terra”.

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Le Monde destaca que a carreira “fulminante” de Abreu - ela própria dona de uma extensa propriedade rural no Tocantins - foi forjada nos partidos mais conservadores da política brasileira. A ascensão dela a um cargo-chave do governo se deve à proximidade da ex-senadora com a presidente Dilma Rousseff, apesar de as duas virem de lados políticos opostos.

O correspondente no Brasil, Nicolas Bourcier, lembra que a petista até aceitou ser madrinha do segundo casamento de Abreu, que vai acontecer em fevereiro. A aliança, ressalta, “diz bastante sobre as mutações políticas do momento” no país. A aproximação, criticada tanto à esquerda quanto à direita, se iniciou em 2012 e se desenvolveu rapidamente “entre essas duas mulheres poderosas”, contou ao jornal uma fonte próxima da presidente.

Batalha de imagem

Le Monde observa que, com seu “verbo afiado e uma franqueza às vezes exagerada”, Abreu se tornou “uma das figuras políticas mais influentes do país – e a mais perigosa, segundo seus detratores”. O jornal destaca que a ministra percebeu desde cedo que os produtores agrícolas perderiam a batalha de imagem com os ambientalistas. Em um universo dominado por homens com aparência “arcaica”, ela logo compreendeu que era preciso modernizar a percepção do agronegócio, argumentando que “os ecologistas não podem ter o monopólio do debate”.

Foi quando a causa ambiental começou a perder força no Brasil, após a reeleição de Lula. Segundo os rumores relatados pelo jornal, o ex-presidente “preferiria enfrentar o demônio do que Kátia Abreu”. A reportagem sublinha que nunca o setor agrícola foi tão cortejado quanto nas eleições de 2014, em que o número de parlamentares da bancada ruralista aumentou 33%.

Agora, à frente da Agricultura, Abreu joga a carta do “diálogo”, mas permanece “certa como nunca” dos seus objetivos - “sempre com um sorrisinho”, diz o texto.
 

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