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Brasil

“Estamos sacrificando conquistas históricas” na economia, diz Haddad em Paris

Fernando Haddad e a prefeita de Paris, Anne Hidalgo.
Fernando Haddad e a prefeita de Paris, Anne Hidalgo. Gabriel Brust/RFI

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira (24), em Paris, que o recorde do valor do dólar verificado ao longo do dia reflete a “incerteza política” que vive o Brasil. “Estamos sacrificando conquistas históricas com uma visão de curtíssimo prazo, e não é razoável pedir isso ao país”, afirmou Haddad, que foi o convidado de um debate sobre urbanismo e metrópoles com a prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo.

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O debate marcou a inauguração da Escola Urbana, que faz parte da renomada universidade SciencesPo. Na conversa com os futuros alunos do curso e com a prefeita de Paris, o assunto foi a gestão das cidades. Para a imprensa, Haddad demonstrou preocupação com a crise econômica. “Estamos estressando o sistema econômico desnecessariamente. Existem problemas conjunturais que precisam ser resolvidos, mas não podemos transformá-los em problemas estruturais. E é o que estamos fazendo”, afirmou.

Reportagem

Para o prefeito de São Paulo, o momento requer “maturidade da oposição e da situação” para não deixar a crise política sangrar ainda mais a economia. “Você não pode dar as costas, como parece que está sendo o caso, para o sistema econômico, em torno da disputa política de curto prazo.” Haddad disse que cabe à presidente tentar reverter o quadro. “Ela é que está no comando do jogo. Tem mandato para fazer isso e tem que fazer.”

No debate diante dos alunos da SciencesPo, Fernando Haddad e Anne Hidalgo demonstraram afinidade. Ao tentar explicar o Brasil para a plateia majoritariamente composta por franceses, Haddad lembrou que o país é “uma federação apenas no nome”, com os municípios perdendo cada vez mais autonomia financeira para a União.

Metrô e Uber

Hidalgo citou dois exemplos brasileiros como inspiração para sua gestão na capital francesa. Primeiro, o orçamento participativo de Porto Alegre, que agora funciona plenamente na Cidade Luz. Segundo exemplo, os Sesc de São Paulo, que ela conheceu em 2010. Para Hidalgo, a gestão do centro cultural parisiense Le 104 é totalmente inspirada no Sesc que conheceu em São Paulo.

Haddad se disse interessado pela reforma urbana parisiense que está em curso, o Grand Paris, e iniciativas como o Dia Sem Carro, marcado para o próximo domingo (27). Assim como São Paulo, a capital francesa hoje combate o uso do carro, mas oferecendo uma malha ferroviária com mais de 20 linhas entre metrô, VLTs e trens. Haddad disse que ter apenas cinco linhas de metrô à disposição da população de São Paulo não deve ser um impedimento para as políticas que combatem o carro. “Não acho que uma coisa exclua a outra. O transporte sobre trilhos é responsabilidade do governo do estado, que esta há 20 anos tentando tirar os projetos do papel. Eu não posso, enquanto prefeito, ficar aguardando."

Outro tema que permeou a conversa foram serviços como o Uber e o AirBNB. O Uber, proibido na França, pode encontrar um destino menos radical em São Paulo, segundo Fernando Haddad. O prefeito diz que deve apresentar dentro de uma semana um plano de regulamentação do serviço de transporte, que não irá proibi-lo totalmente, mas que imporá restrições. “Estamos estudando os modelos do mundo e encontrando soluções inovadoras que preservam o direito dos taxistas, mantêm a regulação, mas não se fecham à tecnologia.”

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