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Zika, um vírus que ameaça os fetos do Brasil, diz Le Monde

Em reportagem de página inteira Le Monde alerta para a epidemia de microcefalia no Brasil.
Em reportagem de página inteira Le Monde alerta para a epidemia de microcefalia no Brasil. Le Monde

O jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta quinta-feira (7), traz uma reportagem de página inteira sobre o aumento dos casos de microcefalia no Brasil. Com o título "um vírus que ameaça os fetos", o vespertino relata que a epidemia provocada pelo Zika vem criando uma psicose entre as mulheres grávidas do país.

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“O Brasil está em estado de emergência sanitária desde o mês de dezembro, vítima de uma epidemia estranha e monstruosa provocada pelo mosquito” Aedes aegypti, explica Le Monde. O inseto, cuja picada é responsável pela dengue e pela doença tropical do chikungunya, pode transmitir às mulheres grávidas o vírus da Zika, provocando a malformação fetal, a microcefalia. “Os bebês nascem com um perímetro craniano inferior a 33 centímetros e um retardo mental irreversível, quando conseguem sobreviver”, relata o vespertino, que traz em sua reportagem uma foto de um recém-nascido portador da doença.

O jornal informa que entre 2010 e 2014 o Brasil registrou uma média de 150 casos por ano, mas atualmente os casos suspeitos de microcefalia já ultrapassam três mil, segundo números divulgados pelo ministério da Saúde. A maioria das ocorrências foi registrada no Nordeste brasileiro, principalmente no estado de Pernambuco.

No entanto, o vespertino destaca que um primeiro caso já foi detectado na Amazônia, que o Rio de Janeiro registrou 118 contaminações e que a epidemia começa a se aproximar de São Paulo. “Considerado como ‘o paraíso dos mosquitos’ nessa temporada de chuvas, a cidade, frequentemente vítima da dengue, tem mais de 20 milhões de habitantes, boa parte deles morando em favelas”, se preocupa a correspondente do jornal, Claire Gatinois.

Aborto proibido no Brasil

Le Monde explica que a malformação é detectada apenas aos seis meses de gravidez, deixando as famílias desamparadas. “Não há nenhuma escapatória no Brasil, onde o aborto é considerado um crime, exceto nos casos de estupro ou de ameaça para a vida da mãe”, comenta o vespertino.

O governo se mobiliza para acompanhar os pacientes, divulgar e recolher informações, e avançar a pesquisa com a ajuda internacional, além de matar as larvas do mosquito, explica Le Monde. Brasília “promete não economizar nos gastos” para combater a epidemia, enfatiza o jornal, que lembra que os brasileiros não são as únicas vítimas de vírus, pois Colômbia, Guatemala, Guiana Francesa, Porto Rico e Honduras também foram alvos do mosquito.

Dentro de quatro ou cinco anos, o Brasil poderá registrar 100 mil casos de microcefalia, explica o especialista em dengue Artur Timermann, ouvido pela correspondente do Le Monde. Segundo o entrevistado, a crise econômica que castiga o país atualmente pode atrapalhar a luta contra a epidemia, pois o Brasil vai precisar de estruturas médicas para tratar as crianças contaminadas e isso terá um custo muito alto para um sistema de saúde que já sofre pela falta de investimentos, ressalta do texto.

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