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Jornais europeus recebem pacote de crédito de Dilma com pessimismo

A presidente Dilma Rousseff durante abertura da 44ª Reunião Ordinária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o "conselhão".
A presidente Dilma Rousseff durante abertura da 44ª Reunião Ordinária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o "conselhão". REUTERS/Adriano Machado

Os principais jornais especializados em economia da França e do Reino Unido estimam que o pacote de crédito de R$ 83 bilhões anunciado nesta quinta-feira (28) pela presidente Dilma Rousseff visa evitar um terceiro ano consecutivo de recessão no Brasil, mas deve ter pouco impacto na economia.

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Segundo o francês Les Echos, a iniciativa do governo não anima o setor privado. O britânico Financial Times afirma que o pacote é uma resposta política aos parlamentares que trabalharam no Congresso para afastar a destituição da presidente, com poucas chances de retorno econômico.

Ouvido pelo Les Echos, o deputado federal José Guimarães, do PT, explica que a injeção de crédito, destinada a dinamizar os setores de habitação, agricultura, infraestrutura e pequenas e médias empresas, é uma recompensa para os aliados de esquerda que tentaram impedir o avanço do processo de impeachment no Congresso. A ala mais à esquerda também cobrava do governo um sinal de que a política de austeridade, encarnada pelo ex-ministro Joaquim Levy, é uma página virada.

Nas páginas do Les Echos, o chefe-economista do banco de investimentos Goldman Sachs, Alberto Ramos, afirma que o que está ocorrendo no Brasil é um "desperdício". "Antes, o número 10 era Pelé. Agora, 10 é a inflação, o desemprego e o índice de popularidade da presidente Dilma Rousseff", lamenta o analista.

Mesma receita para diagnóstico equivocado

A iniciativa do governo não anima o setor privado, acrescenta o jornal francês. Em Davos, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, já tinha declarado que a demanda por crédito segue fraca no país. A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia International, diz que "o problema desse governo é que ele só conhece uma receita, a do financiamento público do crédito". "Eles não sabem fazer nada diferente disso e nem admitem que o problema pode estar em outro lugar", resume desanimada.

O jornal britânico Financial Times publica uma análise semelhante à dos Les Echos sobre o pacote de crédito brasileiro. "As medidas são uma resposta política aos deputados que trabalharam no Congresso para afastar o risco de destituição da presidente."Porém, como afirma o economista Neil Shearing, da Capital Economics, "é pouco provável que o pacote tenha o efeito que o governo deseja em termos de retorno da atividade econômica". "É só para não piorar ainda mais o quadro recessivo", conclui o Financial Times.

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