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Ministro/Casa Civil

"Corrupção leva à cadeia ou ao Planalto", diz rádio francesa sobre Lula

Manifestante antigoverno (esquerda) e pró-governo durante um protesto contra a nomeação do ex-presidente Lula, em frente ao Palácio do Planalto em Brasília.
Manifestante antigoverno (esquerda) e pró-governo durante um protesto contra a nomeação do ex-presidente Lula, em frente ao Palácio do Planalto em Brasília. REUTERS/Adriano Machado TPX IMAGES OF THE DAY

A nomeação do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil no governo Dilma, oficializada ontem, é um dos principais destaques da imprensa francesa nesta quinta-feira (17). Jornais, rádios e canais de TVs também exibem reportagens sobre as manifestações espontâneas que tomaram conta das principais capitais brasileiras após a divulgação de grampos telefônicos de conversas de Lula com aliados e com a presidente Dilma.

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Na rádio Europe 1, uma das emissoras de maior audiência no horário matinal, o âncora ironizou: "no Brasil, político suspeito de corrupção ou vai para a cadeia ou para o palácio do governo", referindo-se às denúncias contra o ex-presidente levantadas na Lava Jato.

O Le Monde destaca as manifestações de “indignação” que explodiram depois do vazamento do telefonema grampeado entre Lula e Dilma, pouco depois da confirmação da ida do ex-presidente para a Casa Civil, substituindo Jacques Wagner.

O jornal Le Figaro considera ousada a nova cartada do PT, no momento em que o escândalo político-judiciário da Petrobras atinge seu ápice. O diário conservador explica que Lula se tornou o equivalente a um primeiro-ministro no sistema político francês. "Ele hesitou em aceitar a oferta, porque temia que ela fosse interpretada como um reconhecimento de culpa das acusações de ocultação de patrimônio feitas pelo Ministério Público de São Paulo", mas acabou aceitando o cargo, "o que pode se voltar contra ele", segundo especialistas ouvidos pelo diário.

Foro privilegiado pode não dar certo, diz Le Figaro

Le Figaro informa que o foro privilegiado adquirido com o cargo de ministro faz com que Lula só possa ser julgado daqui para frente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ora, segundo o diretor da revista Fórum, Renato Rovai, ouvido pelo Figaro, as sentenças proferidas pelo STF têm sido mais rigorosas do que de instâncias inferiores. O jornalista lembra o caso do deputado mineiro Eduardo Azeredo, do PSDB, que preferiu renunciar ao seu mandato a ser julgado pelo STF.

Le Figaro relata que o maior medo de Lula é que ex-primeira-dama Marisa Letícia e seus filhos sejam presos. Contra isso ele nada pode fazer, porque a família não goza de imunidade. Segundo Le Figaro, a questão hoje é saber se será possível salvar o governo Dilma em meio a esse caos.

Lula chegou ao Planalto para tentar impedir o desembarque do PMDB da coalizão de governo, prossegue o texto. "A incompetência de Dilma na articulação política", diz o diário, pode ser suplantada pela experiência de Lula, mas ele assume um risco enorme, na avaliação do jornal. "Se ele conseguir dar uma guinada econômica até os Jogos Olímpicos do Rio e o início da campanha para as eleições municipais, pode ser que ele ganhe fôlego político," escreve o jornal. Em caso de fracasso, "Lula deixará o governo pela porta dos fundos, manchando para sempre sua biografia política", afirma taxativo o jornal francês.

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