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Brics/Brasil

Crise no Brasil evidencia fracasso do Brics, diz jornal britânico

O jornal The Guardian ilustrou reportagem sobre crise no Brics com imagem dos protestos no Brasil.
O jornal The Guardian ilustrou reportagem sobre crise no Brics com imagem dos protestos no Brasil.

Uma reportagem publicada no jornal britânico The Guardian do domingo (27) chama a atenção para a perda de influência generalizada que toma conta dos países do Brics. Segundo o diário, a crise brasileira é o exemplo mais recente do fracasso do grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

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Ilustrada com uma fotografia dos protestos contra a presidente Dilma Rousseff, a reportagem do jornal britânico explica que os cinco países emergentes tinham tudo para dominar o século 21. No entanto, a crise política no Brasil, acompanhada da má gestão da economia e dos altos níveis de corrupção que vêm sendo investigados no país, com novos casos que podem vir à tona durante esta semana, reforçam novamente a impressão, cada vez mais presente entre os governos ocidentais e no mundo empresarial, de que “a bolha do Brics estourou”.

The Guardian dá grande destaque para a situação brasileira e explica que os escândalos políticos poderiam forçar a renúncia ou impeachment de Dilma Rousseff, além do julgamento de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. “Cerca de um quarto dos membros do Congresso enfrentam algum tipo de investigação criminal, a crise tornou-se estrutural e levanta preocupações sobre a durabilidade da jovem democracia do Brasil”, diz o diário britânico.

Brasil não é o único em crise

No entanto, de acordo com o texto, os problemas enfrentados pelos brasileiros e os demais membros do grupo são muito semelhantes, mesmo se cada país é diferente. “Brasil e Rússia entraram em recessão, enquanto a China, principal motor do crescimento mundial, tem visto uma forte contração de sua atividade econômica”, explica a reportagem. Para o jornal, a situação foi agravada pela queda da demanda global, dos preços do petróleo e das commodities, que se tornaram um obstáculo para o Brics.

The Guardian afirma que situação da África do Sul levanta as mesmas questões sobre a capacidade de o grupo de se destacar de maneira sustentável na cena internacional. O diário lembra que o presidente sul-africano, Jacob Zuma, também é alvo de denúncias de corrupção, assim como vários membros da classe política do país, em um contexto que tem como pano de fundo o baixo desempenho das empresas estatais, uma moeda cada vez mais fraca, a queda das exportações e o aumento da inflação.

Já no caso da Rússia, ressalta The Guardian, o que preocupa é o valor do rublo que caiu devido à diminuição das exportações de petróleo, da qual a economia do país é totalmente dependente. Além disso, Moscou ainda sofre por causa das sanções impostas pelos ocidentais após a contestada anexação da Crimeia, em 2014.

Franqueza institucional é constante no bloco

“Um fator comum para todos os países do Brics, que lutam economicamente, é a fraqueza institucional, em particular uma falta (ou, em alguns casos, uma total ausência) de responsabilidade democrática, transparência na vida pública e independência da mídia”, analisa o diário. Para ilustrar a crítica, The Guardian toma o exemplo da China, que sofre com a queda de exportações, mas também da ação de “um Partido Comunista que reprime o debate público e as organizações da sociedade civil”.

De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal, apenas a Índia estaria relativamente protegida da crise generalizada do Brics. “O país não é nenhum modelo de virtude quando o assunto é corrupção e infraestrutura, mas está se esforçando para acelerar a reforma econômica e a competitividade”, diz o jornal. Além disso, o fato de ter uma economia relativamente fechada protege os indianos da desaceleração no comércio mundial, analisa.

No entanto, ressalta o jornal, “o desempenho econômico não pode ser a única medida de sucesso ou fracasso e, para ocupar o seu lugar de destaque no século 21, os países do Brics devem criar sistemas de governança mais abertos, responsáveis e confiáveis. Este é um desafio de liderança, não de ganhos e perdas”, conclui The Guardian.

 

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