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Impeachment não resolve verdadeiros problemas do Brasil, diz cientista político

Áudio 08:34
Gaspard Estrada, do Observatório Político da América Latina da Sciences Po
Gaspard Estrada, do Observatório Político da América Latina da Sciences Po RFI

O impeachment da presidente Dilma Rousseff deve ser aprovado pelo Senado, em votação prevista para ocorrer nesta quarta-feira (11). No entanto, a troca de comando do Planalto não será suficiente para solucionar os verdadeiros problemas do Brasil. A avaliação é de Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc), centro de estudos do prestigioso instituto francês Sciences Po, em Paris.

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O cientista político sustenta que a tensão social e a polarização no país só aumentam, em meio ao conturbado processo de impeachment, com reviravoltas até os últimos instantes – como mostrou a anulação, seguida de um recuo, da votação feita pelos deputados, pelo presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão. Desta forma, o país apenas se afasta de uma solução definitiva da crise política e econômica na qual está cada vez mais afundado.

“O impeachment não vai resolver a crise política, a promiscuidade entre o dinheiro e a política. Não vai levar às condições para que o Brasil volte a ter crescimento econômico e que os brasileiros tenham confiança nas suas instituições”, disse o pesquisador, em entrevista à RFI Brasil. “Os grandes problemas do Brasil, que foram revelados por todo esse processo politico e jurídico, não vão ser resolvidos pelo impeachment – muito pelo contrário”, insiste o pesquisador.

Relação com o Congresso não deve ser tão simples

Estrada se diz “bastante pessimista” sobre o futuro a médio prazo do país. Ele constata que, se assumir o poder, o vice-presidente, Michel Temer, terá de viabilizar uma resposta rápida aos desafios da economia – mas a aprovação de medidas necessárias está longe de estar garantida.

“Temer está diante do mesmo Congresso que a presidente Dilma: um Congresso que rejeitou praticamente todas as medidas enviadas por ela em 2015 e ainda gerou muitas das chamadas ‘pautas-bombas’, que aumentaram os gastos públicos, em especial os de custeio. O vice-presidente terá de assegurar uma boa capacidade de negociação com o Congresso, que tem se mostrado muito contrário a aprovar medidas do governo”, explica o cientista político franco-mexicano.

Votar o impeachment é uma coisa; medidas impopulares, outra

O especialista considera que, se a tensão social não diminuir nos próximos meses, o vice-presidente pode ter sérias dificuldades em manter o apoio anunciado que terá do Congresso no início da sua gestão. Temer pode até ser mais habilidoso do que Dilma para lidar com os parlamentares – afinal já foi presidente da Câmara dos Deputados no passado e conhece bem o funcionamento da relação entre os poderes. Mas Estrada duvida que a cooperação será tão simples quanto parece. “Uma coisa é votar o impeachment da presidente. A outra é aprovar reformas econômicas impopulares”, constata o pesquisador.

Para ouvir a entrevista completa, clique na foto acima.
 

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