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Samuel Pinheiro: “O que está em jogo é uma visão de Brasil”

Áudio 07:05
O diplomata, ex-secretário de assuntos estratégicos do governo Lula, Samuel Pinheiro Guimarães
O diplomata, ex-secretário de assuntos estratégicos do governo Lula, Samuel Pinheiro Guimarães memoria.ebc.com.br

Mais do que a abreviação do mandato da presidente Dilma Rousseff, o que está em jogo no processo de impeachment é o confronto entre dois projetos para o país, na opinião do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral de Relações Exteriores do Itamaraty e ex-ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo Lula. Na quarta-feira (11), quando teve início a tomada de decisão do Senado sobre o afastamento da petista do Planalto, Pinheiro Guimarães estava em Paris para uma conferência no Grupo de Reflexão sobre o Brasil Contemporâneo, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS).

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Para o diplomata, o afastamento da presidente pode marcar um novo período de conservadorismo no Brasil, com retrocessos nas políticas sociais e econômicas. Durante a palestra, para uma plateia de estudantes e professores, Pinheiro Guimarães defendeu que as “classes hegemônicas” do país estão promovendo um golpe de Estado, diante da possibilidade de terem de enfrentar e perder as eleições.

“Eu acho que é muito grave o que está ocorrendo. É uma crise política – eu diria até uma conspiração institucional da mídia, de setores do judiciário, da sociedade e da economia, com a intenção de afastar a presidenta Dilma e fazer retroceder o programa que vinha sendo implementado pelo presidente Lula e por ela”, afirmou, em entrevista à RFI Brasil. “É isso que está jogo, e não apenas o mandato dela. Está em jogo uma visão de Brasil.”

Medidas avançadas por Temer não são remédio para a crise

Pinheiro Guimarães avalia que o plano de governo anunciado até agora pelo vice-presidente Michel Temer, de viés “neoliberal”, não é adequado para reduzir o desemprego, estimular a atividade econômica e promover o desenvolvimento social.

“Espero que ele não tenha apoio popular para adotar medidas que prejudiquem a maioria da população. Ele vai querer resolver as questões econômicas com prejuízos para os trabalhadores ou com mais equilíbrio fiscal, cobrando impostos de muitos ricos que hoje simplesmente não pagam?”, questionou o diplomata, professor no Instituto Rio Branco.

Embaixador questiona perda da influência internacional do país

O ex-número 2 do Itamaraty não considera, porém, que a crise política e econômica no país resulte na perda da influência internacional do Brasil. “A presença do Brasil no cenário internacional depende de posições que o governo toma diante de situações concretas. Se o governo segue cuidadosamente os princípios da não-intervenção, da autodeterminação, da soberania e da defesa dos interesses nacionais nos diversos organismos e nas relações com os diversos países, a relevância não é afetada – pelo contrário, pode até aumentar”, frisou.

O ex-embaixador ressaltou a importância do acordo de compra e fabricação de submarinos nucleares da França pelo Brasil, em um negócio que, segundo ele, incomodou os Estados Unidos.
 

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