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Brasil/Argentina

José Serra quer "flexibilizar" o Mercosul para "agilizar" acordos bilaterais

O chanceler José Serra (à Esq.) e o presidente argentino Mauricio Macri firmaram memorando para criação de mecanismo de coordenação política.
O chanceler José Serra (à Esq.) e o presidente argentino Mauricio Macri firmaram memorando para criação de mecanismo de coordenação política. Foto: Márcio Resendeende

Ministro foi perseguido por protestos até quando quis tomar um café numa clássica livraria portenha.

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Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires

Na sua primeira viagem internacional como ministro das Relações Exteriores do governo interino, José Serra defendeu em Buenos Aires a necessidade de "flexibilizar" o Mercosul como forma de permitir que cada país individualmente feche acordos comerciais bilaterais com outros blocos ou países.

Com a União Alfandegária que rege desde 1995, modelo que segue o da União Europeia com uma política comercial idêntica perante o mundo, o Mercosul só pode negociar em bloco, mas José Serra quer uma "flexibilização criativa" dessa regra. Crítico do Mercosul, Serra sempre defendeu o bloco como uma zona de livre comércio, formato inicial em 1991.

"A União Alfandegária cria um condicionamento. Agora, o ritmo de entendimento pode ser flexibilizado. Não tem de ser todos (os países) ao mesmo tempo. Pode ser um e depois levar os outros. Já temos alguns exemplos: Brasil já fez um acordo com o México, parcial. Acabou de fazer um com o Peru, parcial. Os diplomatas e os comerciantes têm imaginação para encontrar soluções. Eu estou otimista a esse respeito", indicou quando indagado pela RFI Brasil.

O otimismo de José Serra veio depois de conversar sobre o assunto com a chanceler argentina, Susana Malcorra, e com o ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay.

Discussões sobre a Venezuela

A crítica situação da Venezuela também foi debatida. Questionado pela RFI Brasil se o Mercosul poderia aplicar a chamada Cláusula Democrática e suspender a Venezuela por supostas violações aos direitos humanos, José Serra disse que Brasil e Argentina "vão procurar definir posições comuns mais adiante".

"Quanto à Venezuela, estamos atentos. Temos interesse, Brasil e Argentina, de que possa haver uma mediação (entre governo e oposição) porque a Venezuela está numa situação crítica", apontou.

Pela porta dos fundos

Na Argentina, o ministro Serra foi recebido pelo presidente Mauricio Macri na Casa Rosada, a quem convidou ao Brasil, mas também por centenas de manifestantes que o classificaram como um ministro "impostor" e "golpista".
A entrevista coletiva de Serra, por exemplo, aconteceu na residência do embaixador Everton Vargas, sob o constante som de apitos e de palavras de ordem de manifestantes do lado de fora.

Ao longo do dia, Serra tentou tomar um café na famosa livraria Ateneo, mas também foi descoberto por manifestantes. Para se reunir com a chanceler Susana Malcorra, teve de entrar pela porta dos fundos do Palácio San Martín, sede da Diplomacia argentina. Para sair, foi montada uma operação de distração dos manifestantes enquanto Serra saía por uma porta lateral.

"Golpista imundo só sai pelos fundos", gritavam os manifestantes. "Nenhum significado", sintetizou Serra ao ser perguntado pela RFI Brasil o que sentia com os protestos.

Perante a licença de Romero Jucá como ministro do Planejamento, José Serra considerou como "excelente" o desempenho do ministro à frente da pasta. "Espero que ele possa resolver os problemas que o levaram a pedir licença e volte. É meu sincero desejo", disse.

O regresso de Serra ao Brasil só estava previsto para esta terça-feira (24), mas o ministro resolveu ao longo do dia antecipar a viagem de volta.

 

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